Cosan não negociará valor da proposta, diz diretor

O diretor vice-presidente de Finanças e Relações com Investidores da Cosan, Marcelo Martins, reiterou, nesta segunda-feira, 24, que a companhia não tem intenção de negociar a proposta feita nesta segunda-feira, 24, aos acionistas da ALL para a fusão da empresa com a controlada Rumo Logística. "A proposta que temos é só essa e nenhuma outra", afirmou o executivo a jornalistas, quando questionado sobre a possibilidade de a companhia rever o valor ofertado para a ALL.

LUCIANA COLLET E GABRIELA VIEIRA, Agencia Estado

24 de fevereiro de 2014 | 15h53

A Rumo apresentou proposta vinculante para a incorporação da ALL pela empresa de logística da Cosan. A proposta consiste na incorporação da totalidade das ações de emissão da ALL, na qual serão atribuídas aos atuais acionistas da Rumo e da ALL ações representativas de 36,5% e 63,5% do capital da companhia combinada, respectivamente. A proposta considera um valor de referência para a ALL de R$ 6,958 bilhões, equivalente a um preço implícito de R$ 10,184 por ação, e para a Rumo de R$ 4 bilhões, o que corresponde a um preço implícito de R$ 3,90 por ação.

Pelos termos da proposta, a Cosan será responsável por indicar a maioria dos conselheiros da companhia combinada, num total de nove, das 17 cadeiras. Os outros acionistas da Rumo, os fundos de investimento TPG e Gávea, teriam uma cadeira cada, bem como os atuais acionistas da ALL (BNDES; fundo BRZ ALL, Previ, Funcef, o casal Julia e Ricardo Arduini e Wilson de Lara).

A ALL deverá submeter a proposta à deliberação de seu conselho de administração em até 40 dias. Sendo a proposta aprovada, o conselho da ALL deverá então convocar a assembleia geral, que será realizada em até 30 dias, para votar a respeito da incorporação de ações.

Além da aprovação dos atuais acionistas da ALL, o negócio ainda está sujeito à obtenção das aprovações regulatórias por parte do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Paralelamente, a Rumo também deverá obter seu registro de companhia aberta e, simultaneamente à operação, ingressará no Novo Mercado da BM&FBovespa.

Aporte

Um aumento de capital por meio de um aporte dos atuais acionistas da ALL e da Rumo é a primeira opção para a nova companhia resultante da possível fusão entre as empresas. "A ideia não é trazer um novo investidor, estaremos juntos dos acionistas atuais, que têm capacidade de aumentar o capital, se necessário, porque são acionistas fortes", disse o diretor.

Martins, no entanto, não descartou a futura entrada de um investidor estratégico na combinação ALL-Rumo. "Com projetos bem feitos, no longo prazo, você pode trazer um investidor estratégico que tenha uma valorização melhor", afirmou o executivo.

A capitalização através de financiamentos com bancos de fomento, como o próprio Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), maior acionista da ALL, também é considerada pela Cosan. Segundo Martins, o BNDES tem concedido forte apoio aos projetos de infraestrutura no País, e a empresa resultante da operação poderia buscar capital para os seus projetos junto ao banco.

Operadora ferroviária

A empresa poderá atuar como uma operadora ferroviária independente, afirmou Martins. "A empresa também pode ser uma operadora ferroviária independente na linha da Valec, por exemplo", explicou.

De acordo com Martins, se aprovada a fusão, o foco inicial da Rumo-ALL será a renovação da concessão já detida pela ALL. "Primeiramente, você tem que resolver a questão da renovação da concessão para poder fazer qualquer outro investimento". Em uma segunda etapa, a nova companhia deverá investir em projetos com altas taxas de retorno.

"Não há grandes transformações no primeiro momento", explicou, afirmando que a principal mudança inicial seria a operação de uma empresa menos alavancada.

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