CPI mineira pede quebra de sigilo bancário da Cooparaíso

Belo Horizonte, 20 - A CPI que investiga desvios de estoques de café na Assembléia Legislativa de Minas determinou hoje a quebra de sigilo bancário e fiscal, a partir de 1998, da Cooperativa Regional dos Cafeicultores de São Sebastião do Paraíso (Cooparaíso). Os deputados pretendem apurar suspeitas de irregularidades em operações financeiras realizadas pela entidade referentes ao Programa de Recuperação do Sistema Cooperativo (Recoop) e do Funcafé. O requerimento foi apresentado hoje pelo relator da Comissão, deputado Rogério Correia (PT). O parlamentar utilizou prerrogativa concedida pelo Superior Tribunal Federal (STF), pela qual as CPI's estaduais podem requerer a quebra de sigilo de investigados, sem que seja necessária autorização judicial. A Cooparaíso é presidida pelo ex-ministro e deputado federal Carlos Melles (PFL-MG). Amanhã está programada uma outra audiência para ouvir representantes da Cooperativa dos Cafeicultores de Poços de Caldas (Café Poços). Há suspeita de desvio de 84 mil sacas de café dos armazéns da entidade. Em agosto, o ex-presidente da cooperativa e também ex-diretor do Decaf no Ministério da Agricultura, Jayme Junqueira Payne, foi intimado a depor, mas utilizou um salvo-conduto concedido pelo Tribunal de Justiça de Minas que lhe assegurou o direito de permanecer calado e não responder às perguntas que pudessem incriminá-lo. Para a reunião de amanhã foram convidados dois cooperados e intimados dois ex-funcionários da Café Poços. A CPI do Café foi instalada em maio deste ano e tinha um prazo de 120 dias para concluir os trabalhos. Entretanto, no dia 22 de setembro foi pedida a suspensão das reuniões para que os deputados analisassem todos os documentos recebidos. A CPI voltou a se reunir no dia 7 de outubro e tem mais 30 dias para entregar o relatório final.

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