Crédito ao consumidor recua 0,5% em junho

Aumento do endividamento das famílias explica a segunda queda consecutiva

Fernando Nakagawa e Fabio Graner, de O Estado de S. Paulo,

27 de julho de 2010 | 23h00

Relatório do Banco Central divulgado na terça-feira, 27, mostra que o mercado de crédito vive duas realidades. Entre as famílias, a concessão de novos empréstimos caiu 0,5% em junho, na segunda retração seguida, e o BC admite que há sinais de "acomodação" após meses de crescimento exuberante. Entre as empresas, porém, o clima é otimista e a concessão de financiamentos cresceu 4,4%, com as firmas querendo bancar o aumento das vendas.

Após meses de recordes seguidos, os empréstimos para pessoas físicas dão sinais de exaustão. Na média, as famílias brasileiras tomaram R$ 3,12 bilhões em novos empréstimos a cada dia do mês passado. Foram R$ 65,5 bilhões em junho. Nos dois casos, o valor foi 0,5% menor se comparado a maio. "É natural que haja uma acomodação desse segmento que cresceu muito nos últimos meses", avalia o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.

A retração dos empréstimos é um dos principais objetivos do BC que, atualmente, executa um processo de aperto monetário com o aumento do juro básico da economia. A intenção é reduzir a demanda por crédito para diminuir o ritmo da economia e, assim, evitar que a inflação saia do controle.

"A desaceleração dos empréstimos para as famílias é vista desde o fim de março, quando o mercado já se preparava para o início do aumento da taxa Selic. Nessas situações, os próprios bancos passam a ofertar menos crédito. Essa inflexão do mercado era uma questão de tempo", diz o professor de finanças do Insper, Ricardo José de Almeida.

O especialista aposta, porém, que os financiamentos para as famílias devem voltar a crescer até o fim do ano. Para ele, o aumento do emprego e da renda e a manutenção da confiança do consumidor devem respaldar a tomada de novos empréstimos.

Empresas

Enquanto famílias moderam seu apetite, o crédito para empresas está acelerando. Após o período de estagnação visto desde o fim de 2008, com a crise financeira americana, o segmento dá sinais de retomar a demanda por crédito para financiar suas atividades. "A expansão do consumo das famílias impactou positivamente as expectativas das empresas, que decidiram ampliar os investimentos e aumentaram a demanda por crédito, não somente do BNDES, mas também das linhas concedidas voluntariamente pelos bancos", destaca relatório do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

Entre as linhas mais procuradas pelas empresas, o financiamento para o capital de giro cresceu 5,6% e liderou entre os empréstimos para empresas.

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