Crédito aumenta e juro médio cai para 32,9% em maio, diz Banco Central

Taxa de inadimplência voltou a subir pelo segundo mês consecutivo em maio e atingiu 6% no crédito livre

Fernando Nakagawa e Eduardo Cucolo, da Agência Estado,

26 de junho de 2012 | 10h53

BRASÍLIA - O estoque de crédito cresceu 1,7% em maio, ante abril, e atingiu R$ 2,136 trilhões, informou o Banco Central (BC) nesta terça-feira. No ano, o crescimento do crédito é de 5,2%. Em doze meses, a expansão do crédito até maio é de 18,3%. Com esse avanço, o crédito atingiu patamar inédito de 50,1% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 49,6% em abril.

A taxa de inadimplência voltou a subir pelo segundo mês consecutivo em maio e atingiu 6% no crédito livre. Em abril, a taxa estava em 5,9%. Os atrasos de pessoas físicas também avançaram pelo segundo mês consecutivo e chegaram a 8% em maio, de 7,8% em abril. No grupo pessoa jurídica, a inadimplência em maio permaneceu estável em 4,1% pelo quarto mês consecutivo.

Juro em queda

Mesmo com o aumento da inadimplência, o juro médio praticado no crédito livre (aquele sem destinação obrigatória) caiu em maio. Segundo os dados do BC, a taxa média praticada no mês passado ficou em 32,9% ao ano, menor que os 35,1% observados em abril. Essa foi a terceira queda seguida do custo medido do crédito. 

"Olhando para a evolução das taxas de juros e dos spreads, a gente conclui que o recuo do juro é motivado tanto pelo custo de captação menor como pela diminuição dos spreads", disse o chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Túlio Maciel.

A queda dos juros em maio foi liderada pelas operações para as pessoas físicas, cuja taxa média recuou de 41,8%, para 38,8%, na mesma base de comparação. Nos financiamentos para as empresas, o recuo foi de 26,3% para 25%.

A queda do juro no mês passado foi influenciada, especialmente, pela diminuição da margem cobrada pelos bancos nos financiamentos, o chamado spread bancário. Na média, esse valor caiu de 26,3 pontos porcentuais em abril para 24,7 pontos porcentuais em maio.

Novamente, o recuo foi liderado pelo segmento pessoa física, que passou de 32,9 pontos para 30,5 pontos, no período. Na pessoa jurídica, o recuo foi de 17,5 pontos para 16,8 pontos porcentuais. 

Novos empréstimos

A média diária de novos empréstimos concedidos pelos bancos caiu 1,5% em maio na comparação com abril. Os bancos emprestaram média de R$ 9,562 bilhões em cada dia do mês passado.

O recuo nos novos empréstimos aconteceu exclusivamente nas operações para a pessoa física, cuja média diária de novas concessões caiu 4,1%, em base mensal, para R$ 3,772 bilhões a cada dia. Nas operações para as empresas, a tendência foi contrária e a média diária subiu 0,2%, para R$ 5,790 bilhões, no mês passado ante o mês anterior.

Veículos

O estoque de crédito para financiamento de veículos por pessoa física caiu 0,3% em maio, ante abril, e acumula recuo de 0,5% em 2012. Em 12 meses, o estoque acumula ainda crescimento de 3,7%,somando R$ 200,044 bilhões.

A queda em maio e no ano foi puxada pelas operações de leasing. Nessa modalidade, houve recuo de 4,7% ante abril e de 22,1% no acumulado do ano. Em doze meses, a retração foi de 42,9%. Já os financiamentos com crédito livre cresceram 0,2% ante abril e acumulam alta de 3% no ano e 15,1% em doze meses.

A inadimplência no financiamento de veículos para pessoa física bateu novo recorde em maio. A taxa chegou a 6,1% em maio, ante 5,9% em abril. Em maio do ano passado, o índice de atraso no pagamento de financiamentos de veículos por pessoa física estava em 3,6%.

Outras linhas de crédito que apresentaram alta da inadimplência em maio, ante abril, foram o cheque especial, financiamento para aquisições de bens e, em menor escala, o crédito pessoal. No cheque especial, a taxa passou de 10,1% em abril para 11,3% em maio. Na aquisição de bens, essa taxa evoluiu de 13,5% para 13,9% no mesmo período. No crédito pessoal, a alta foi de 5,6% para 5,7%.

Habitação

Os financiamentos habitacionais para pessoa física cresceram 2,8% em maio, ante abril, e acumulam alta de 14,2% no ano, de acordo com o Banco Central. Em 12 meses, a expansão é de 41,9%.

O estoque dessas operações soma R$ 228,974 bilhões. A maior parte dessas operações (R$ 212,314 bilhões) se refere a operações com crédito direcionado, que acumula expansão de 39,8% em doze meses.

O crédito habitacional com recursos livres, que soma R$ 16,660 bilhões, cresceu 73,9% em doze meses.

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