Crédito cresce 20% em 12 meses

Na comparação de junho com maio, o estoque de crédito no sistema financeiro nacional cresceu 1,6% e chegou a R$ 1,834 trilhão

Eduardo Rodrigues, da Agência Estado,

27 de julho de 2011 | 10h48

O Banco Central (BC) informou nessa quarta-feira que a relação entre o crédito e o PIB do País é recorde. De acordo com dados divulgados nessa quarta-feira, em junho, essa relação chegou a 47,2%.

O chefe do Departamento Econômico da autoridade monetária, Túlio Maciel, explicou que em junho do ano passado, essa proporção estava em 44,6%. Segundo Maciel, a expectativa do BC é de que a relação crédito/PIB chegue a 48% até o fim de 2011.

Dados do BC mostram ainda que o volume de concessões de crédito no ano já cresceu 7,5% e em 12 meses encerrados em junho, a expansão atinge 20%. Até maio, a evolução do crédito em 12 meses acumulava alta de 20,4%. Nos últimos três meses (junho, maio e abril), o saldo de operações registrou alta de 4,6% ante o período imediatamente anterior.

O BC apontou ainda que o estoque de crédito no sistema financeiro nacional cresceu 1,6% em junho, na comparação com maio, e chegou a R$ 1,834 trilhão. Com isso, a relação crédito/Produto Interno Bruto passou de 46,9% para 47,2% no mês de junho.

Maciel avaliou que o ritmo de expansão do crédito no primeiro semestre de 2011 já mostra um arrefecimento em relação à segunda metade de 2010. "Verificamos um crescimento moderado, consistente com o ritmo de expansão da economia", afirmou.

Para Maciel, os impactos das medidas macroprudenciais tomadas pelo governo e do aumento da taxa básica de juros, a Selic, devem fazer com que o crédito na segunda metade deste ano não tenha a mesma força observada em igual período do ano passado. "A ampliação do crédito se dará em condições mais restritivas", completou.

Juros

Ainda segundo os dados do Banco Central, os juros cobrados nas operações de crédito livre no País caíram de 40% em maio para 39,5% em junho. Da mesma forma, as taxas cobradas nos empréstimos à pessoa física recuaram de 46,8% para 46,1% ao ano, bem como os juros incidentes nas concessões às empresas, que passaram de 31,1% ao ano para 30,8% ao ano.

O mesmo ocorreu com o spread médio cobrado nas operações de crédito livre, que recuou de 27,9 pontos porcentuais para 27,3 pontos porcentuais. No crédito às famílias, o spread caiu de 34,3 pp para 33,6 pp. Nas concessões às pessoas jurídicas, o spread caiu de 19,4pp para 18,9pp.

A inadimplência se manteve estável em 5,1% no total do crédito livre, refletindo a inexistência de mudança nos níveis de atraso de pessoas físicas (6,4%) e jurídicas (3,8%).

 

Já o prazo médio das operações de crédito de pessoas físicas chegou a 575 dias em junho, o maior da série histórica do Banco Central iniciada em junho de 2000. No entanto, o resultado inédito não representa uma melhora nas condições das operações, mas sim uma migração maior dos tomadores de modalidades de prazos mais curtos para modalidades com prazos mais alongados.

"Podemos verificar um processo de alongamento dos prazos desde dezembro de 2009, que foi interrompido no começo deste ano pelo efeito das medidas macroprudenciais tomadas pelo governo", afirmou Maciel. "Em junho foi observado um retorno do aumento dos prazos na média do sistema, mas isso reflete mudanças na composição das operações, e não nas condições", concluiu.

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