Crédito da Caixa mantém desaceleração no 1º trimestre

A Caixa Econômica Federal continuou no processo de desacelerar a oferta de crédito no primeiro trimestre deste ano, segundo Márcio Percival, vice-presidente de Finanças e Controladoria da instituição. A carteira ampliada do banco cresceu 33,1% ante um ano, para R$ 519,8 bilhões.

ALINE BRONZATI, Agencia Estado

21 de maio de 2014 | 13h21

"Conforme o nosso planejamento, seguimos no processo de desaceleração da carteira. O patamar de crescimento de 37% visto ao final de 2013 hoje está em 33,1%. Estamos buscando o guidance no final do ano de alta de 20% a 22% no crédito", explicou Percival.

O ritmo de expansão atual da carteira de crédito da Caixa, segundo Percival, aproxima cada vez mais o banco do aumento vista no mercado. O foco para 2014, conforme ele, é consolidar a instituição nas áreas de crédito para infraestrutura, imobiliário e consignado (desconto em folha), sendo que os dois últimos segmentos têm atraído muito os competidores privados em meio ao baixo risco e oportunidade de fidelização.

"Estamos dando foco nessas três carteiras, que somadas representam 70% do total dos empréstimos. Queremos consolidar a nossa posição nestes segmentos, nos quais a concorrência também está focando muito", ressaltou Percival.

No segmento habitacional, a carteira da Caixa, que é líder neste setor com share de 67,6%, somou R$ 284,3 bilhões de janeiro a março, aumento de 29,1% em um ano. Em contratações foram R$ 26,6 bilhões. Foram cerca de 6 mil contratos por dia, no valor médio de R$ 72,7 mil, o que representa uma contratação diária média de R$ 428,3 milhões.

Infraestrutura

Já os empréstimos voltados à infraestrutura cresceram 50,9% ao final de março ante um ano, para R$ 39,8 bilhões. Para este ano, a expectativa da Caixa é liberar mais R$ 22 bilhões para o setor de infraestrutura além dos R$ 10 bilhões emprestados até maio. Há ainda outros R$ 10 bilhões a serem investidos neste segmento via o FI-FGTS, fundo de investimento, criado em 2008 com recursos das aplicações do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

O crédito comercial alcançou saldo de R$ 180,6 bilhões, com crescimento de 35,3% em relação a março de 2013. Já as contratações totalizaram R$ 62,7 bilhões. Um dos destaques é a elevação do crédito consignado de 30,3% em 12 meses, que registrou saldo de R$ 48,9 bilhões, com volume contratado de R$ 8,2 bilhões. A participação da Caixa neste segmento alcançou 21,1% em março de 2014, uma evolução de 3,0 pontos porcentuais em um ano.

Inadimplência

A inadimplência da Caixa, considerando os atrasos acima de 90 dias, deve voltar a recuar no segundo trimestre deste ano, segundo Percival, a despeito do aumento visto nos três primeiros meses. Os calotes foram a 2,6% ao final de março, aumento de 0,3 ponto porcentual ante dezembro.

O índice de inadimplência da Caixa voltou a subir no primeiro trimestre após ter recuado em dezembro pela primeira vez em cinco trimestres seguidos. Segundo Percival, os calotes no período ficaram abaixo das expectativas da Caixa e foram impactados por fatores sazonais de início de ano e ainda pela redução da carteira de grandes empresas de 3% no período. Ele lembrou que, por orientação do seu controlador, o governo, o banco tem se focado mais na pequena e média empresa e que essa estratégia tem reflexo na qualidade dos ativos.

"A inadimplência no primeiro trimestre veio abaixo da nossa expectativa, mas está dentro do nosso planejamento. Ao longo de 2014, esperamos que os calotes caminhem para um patamar menor", afirmou Percival.

O executivo destacou ainda que a qualidade dos ativos da Caixa está "alta" em relação ao mercado, com os clientes de perfil AA a C respondendo por 92,4% da carteira total do banco.

As despesas com provisões para devedores duvidosos, as chamadas PDDs, cresceram 19% no primeiro trimestre ante um ano, segundo Percival. O aumento, conforme ele afirmou, ficou abaixo não só da expansão da carteira de crédito ampliada do banco no período, de 33,1% em um ano, como também do avanço das receitas financeiras de crédito, de 46,4% na mesma base de comparação.

"Nosso crescimento (em crédito) tem se apoiado nas carteiras de infraestrutura, habitação e consignado que juntas respondem por 70% do total. São segmentos de baixo risco e, por isso, não têm o porquê imaginarmos que as despesas com PDDS possam crescer de maneira atípica em 2014", explicou Percival.

A Caixa anunciou nesta quarta lucro líquido de R$ 1,5 bilhão no primeiro trimestre de 2014, o que representa um aumento de 15,3% em relação ao mesmo período do ano passado.

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