Créditos de carbono: mercado ganha com adesão de Rússia a protocolo

Rio, 20 - A ratificação do protocolo de Kyoto pela Rússia, anunciada há cerca de um mês e que deve ser feita ainda este ano, unida à decisão da União Européia de cobrar multas para a emissão de gases poluentes a partir de 2005, deve fazer com que o próximo ano seja definitivo para o mercado de créditos de carbono, acredita o vice-presidente da consultoria ICF Brasil, Marcos Ferreira, que atende a pelo menos 25 empresas com projetos nesta linha. Segundo ele, as perspectivas para o Brasil neste mercado são mais amplas do que se imaginava. Hoje, sem qualquer obrigatoriedade desta negociação, o país já movimenta US$ 25 milhões anuais. Somente com os projetos já implantados, calcula, ele existe um mercado potencial para o Brasil de US$ 300 milhões por ano, que devem chegar US$ 1 bilhão em negociações em 2007. Para o mercado mundial negociação de contratos de carbono devem chegar a US$ 200 milhões ainda este ano, crescendo para até US$ 2 bilhões no próximo ano. O consultor alerta, porém, que estes valores podem ser considerados "conservadores" já que se baseiam em contratos negociados a US$ 10 a tonelada de carbono negociada. Hoje esta tonelada está em US$ 5, sendo negociada na bolsa de Chicago criada especificamente com esta finalidade. "Se formos considerar que a multa na Europa para as emissões devem ficar em torno de 40 euros, o valor do contrato de carbono deve crescer ainda mais", acredita. Para o consultor, o potencial do Brasil neste mercado está principalmente nos projetos ligados a energia gerada a partir da biomassa e às pequenas centrais hidrelétricas ou geração de energia eólica. "O contrato de carbono se justifica apenas em projetos que não são economicamente viáveis. Isso porque ele serve como um subsídio ambiental para projetos que dificilmente seriam implantados se não tivessem este auxílio financeiro", explicou. Um exemplo difícil de ser incluído no programa, lembra ele, é o do uso do álcool combustível. "O Brasil já usa este sistema com sucesso e não tem porque ele não ser viável economicamente. E no caso de ele ser incluído no projeto o crédito deveria ser feito para a usina, para o governo que implantou o programa, para a distribuidora, para o posto ou para o consumidor, que optou pela substituição de outro combustível?", questiona.

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