Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Carlos Garcia Rawlins/Reuters

Credor contesta Avianca na Justiça

Swissport Brasil questiona valor da dívida da Avianca com a gestora americana Elliott Management

Renée Pereira e Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2019 | 04h00

A Avianca chega nesta sexta-feira, 29, à assembleia de credores com mais uma contestação na Justiça. A Swissport Brasil, empresa de serviços aeroportuários que tem R$ 16,8 milhões a receber da companhia, apresentou petição nesta quinta-feira, 28, questionando o valor da dívida da Avianca com a gestora americana Elliott Management (Manchester). No documento, a Swissport solicita alterações na lista de credores antes da realização da assembleia em que o futuro da companhia aérea será decidido, marcada para as 14h.

Na semana passada, a Avianca admitiu dever R$ 2 bilhões para a Elliott, conhecida por investir em empresas em crise. O valor corresponde a quase 75% dos débitos da companhia. Parte desse montante, porém, é referente a ações da aérea que foram dadas como garantias em empréstimos para outros negócios dos irmãos José e Germán Efromovich, donos da Avianca, como o estaleiro Eisa, em recuperação judicial. 

Por ser a maior credora da aérea, a Elliot pode ter influência maior na assembleia. O plano que será votado hoje prevê a criação de uma Unidade Produtiva Independente (UPI) que inclua os aviões e os slots (autorizações de pousos e decolagens) da Avianca, deixando as dívidas de fora. Essa UPI deve ir a leilão, e a Azul já mostrou interesse em arrematá-la por US$ 105 milhões. 

Uma das preocupações da Swissport é que o valor ofertado pela Azul é inferior à dívida da Avianca com a Elliott. Como a gestora é classificada como credora com garantia real, tem prioridade para receber, o que pode fazer com que outros credores acabem não sendo pagos após a venda da UPI.

Na petição, assinada por advogados do escritório Cascione Pulino Boulos, a Swissport pede que seja considerado como valor da dívida da Avianca com a Elliot apenas R$ 672,6 milhões, número apresentado no início do processo de recuperação judicial.

Outra dificuldade no plano de recuperação da Avianca é o impasse com os arrendadores dos aviões. Na quarta-feira, a Avianca não conseguiu fechar um acordo para devolver de forma amigável parte ds aviões que aluga. Os arrendadores querem a retomada imediata dos jatos. 

A expecta da Avianca e da Azul é que os arrendadores voltem a sentar à mesa caso o plano de recuperação seja aprovado hoje. Caso os credores voltem contra, porém, a Azul pode começar a ter problemas para tocar sua aquisição adiante, pois uma decisão da Justiça protegia Avianca até hoje de eventuais pedidos de reintegração de posse. 

Procurada, a Avianca não se pronunciou. A reportagem não conseguiu contatar a Swissport. 

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