Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Credores aprovam plano de recuperação da Ecovix

Empresa tem dívida de R$ 7 bilhões; plano prevê pagamentos em até 20 anos e deságio de 76% para alguns credores

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

27 Junho 2018 | 04h00

O grupo Ecovix, dono do Estaleiro Rio Grande, conseguiu aprovar nesta terça-feira, 26, o plano de recuperação judicial envolvendo dívidas de R$ 7 bilhões. Marcada para 15 de março, a assembleia havia sido suspensa por decisão judicial e só foi autorizada no fim de abril.

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Na reunião, realizada na cidade de Rio Grande (RS), 100% dos credores das classes 1 (trabalhista) e 2 (com garantia real) votaram a favor do plano. Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Petrobrás, detentores de cerca de 20% dos créditos da classe 3, sem nenhuma garantia, votaram contra, afirmaram os advogados da Ecovix, Alexandre Faro, do escritório Freire Assis Sakamoto Violante, e Rodrigo Tellechea, do Souto Correa. 

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“Estranhamos muito a decisão, pois negociamos exaustivamente com os eles (BB, Caixa e Petrobrás). Esse plano está sendo negociado há mais de um ano”, disse Faro. Entre os fornecedores, credores da classe 4, a adesão chegou a quase 90%.

De acordo com o plano, que ainda precisa ser homologado pela Justiça, trabalhadores receberão os recursos parcelado durante um ano; os fornecedores, em até três anos; e os credores da classe 2, a partir da data prevista nas garantias. Para os credores, sem garantias, o plano prevê uma emissão de debêntures com deságio de 76% e vencimento em até 20 anos.

“Para os credores que apoiarem a empresa e estiverem dispostos a conceder novos créditos ou produtos para a companhia, a proposta é uma emissão de debêntures, sem deságio”, afirma Faro. Segundo ele, o dinheiro virá a partir da desmobilização de sucata que está no estaleiro e também da previsão de expansão das atividades do negócio.

Uma consultoria especializada no setor elaborou um estudo para avaliar o potencial de operação além da construção de plataformas de petróleo. Segundo a empresa, que tem ativos avaliados em US$ 1 bilhão, o grupo analisa possibilidades nas áreas portuária; reparos em plataformas petrolíferas e embarcações; processamento de aço para a indústria metalmecânica; e conclusão da plataforma P-71 – que está 30% montada dentro do dique seco do estaleiro.

O processo de recuperação judicial da Ecovix teve início em dezembro de 2016, depois que a Petrobrás cancelou todas as encomendas com o Estaleiro Rio Grande. A Ecovix faz parte do Grupo Engevix (agora Nova Engevix), envolvido na Operação Lava Jato. “A aprovação desse plano significa uma segunda chance para atividade naval na Região”, diz Rodrigo Tellechea.

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