Credores da GM rejeitam oferta de troca de dívida

A General Motors não conseguiu convencer detentores de bônus em número suficiente para trocarem dívidas da empresa por participação acionária, preparando o palco para a maior concordata da história da indústria norte-americana.

KEVIN KROLICKI E JUI CHAKRAVORTY DAS, REUTERS

26 de maio de 2009 | 19h56

A maior montadora dos EUA tem até agora fracassado em conquistar o apoio que gostaria, de perto de 90 por cento dos detentores de bônus, para evitar a concordata, disseram duas fontes com conhecimento das discussões à Reuters nesta terça-feira. Os credores da GM têm até o final desta terça para tomar uma decisão final em relação à oferta de troca de dívida.

Até por volta de meio-dia desta terça-feira, a empresa tinha um percentual de adesão à proposta de troca de dívida "baixa, de um dígito" apenas, por parte de seus credores, segundo uma das fontes.

A GM não quis comentar como estava a adesão à sua oferta de troca de títulos. A montadora disse que irá detalhar os resultados da proposta aos detentores de bônus apenas na quarta-feira pela manhã.

Segundo fontes ouvidas pela Reuters, a GM provavelmente irá entrar com pedido de concordata pouco tempo depois da meia-noite desta terça-feira, mas antes do dia 1o de junho.

UM JOGO DE ESPERA

Apesar do fracasso em conseguir um acordo com seus credores, a GM conseguiu chegar a um acerto nesta terça-feira com os líderes do sindicato United Auto Workers (UAW).

A chave para as negociações da GM com o UAW tem sido na forma que os dois lados reestruturaram os termos de pagamentos dos 20 bilhões de dólares que a montadora ainda deve ao fundo de garantia de saúde para aposentados do UAW.

O UAW concordou em ficar com 17,5 por cento das ações ordinárias da GM reestruturada, disse uma fonte com conhecimento dos termos do acordo.

O sindicato também deve receber 6,5 bilhões de dólares em ações preferenciais, além de títulos de 2,5 bilhões de dólares.

Um acordo sob esses termos significaria que o sindicato obteve sucesso ao assumir menos risco do que teria sob uma proposta anterior da GM, que daria ao sindicato 39 por cento das ações ordinárias da montadora.

Já os atuais acionistas da montadora ficariam com apenas 1 por cento da empresa reestruturada.

Uma fonte com conhecimento da visão do governo do presidente Barack Obama sobre o caso disse que a Casa Branca continua conversando com os detentores de bônus da GM para buscar um acordo.

As ações da GM, que podem perder todo seu valor com a concordata, fecharam nesta terça-feira com alta de 0,7 por cento, a 1,44 dólar, na Bolsa de Valores de Nova York.

O governo norte-americano forneceu um total de 36,6 bilhões de dólares para GM, Chrysler e suas unidades financeiras desde dezembro.

Em uma entrevista transmitida no último fim de semana, Obama afirmou que espera que GM e Chrysler surjam da reestruturação "menores, mais fortes, e mais competitivas".

A Chrysler busca nesta semana a aprovação para sua venda à "Nova Chrysler", sob controle dos governos norte-americano e canadense, do sindicatos dos trabalhadores e da montadora italiana Fiat. Uma audiência sobre a operação está prevista para quarta-feira.

Ainda nesta terça-feira, um juiz federal dos EUA negou o pedido de um grupo de pensionistas do Estado norte-americano de Indiana para adiar a audiência de venda da Chrysler e mover o processo de concordata da companhia para um tribunal distrital.

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