Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Credores rejeitam novo plano de recuperação judicial da Samarco

Alegação na Justiça é que nova proposta consiste, basicamente, no perdão da dívida de R$ 26,4 bilhões

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2022 | 09h30

São Paulo - Em mais um capítulo da disputa envolvendo a mineradora Samarco, o grupo de credores que detém R$ 26,4 bilhões da dívida da empresa rejeitou o novo plano de recuperação judicial apresentado pela companhia, há cerca de duas semanas. À Justiça, o grupo definiu que o plano carrega os “mesmos abusos”, beneficiando os acionistas da Samarco: a Vale e a BHP Billiton, que dividem o controle da empresa.

 

A rejeição do plano ocorre às vésperas da assembleia geral dos credores da Samarco, agendada para a  quinta-feira, dia 10. Com isso, haverá um prazo aberto para que os credores apresentem uma proposta alternativa. A crise da mineradora, que acabou resultando no pedido de recuperação judicial, é consequência da tragédia ocorrida em 2015 nas operações em Mariana (MG), quando o rompimento de uma barragem deixou 18 mortos, provocando graves danos ambientais ao ecossistema do Rio Doce.  

No documento, os credores justificam a decisão afirmando que o novo plano traz condições mais benéficas aos controladores da Samarco. “A simples leitura do documento já é suficiente para constatar que a ´nova’ versão do plano não passa da mesma proposta apresentada oito meses atrás, com alterações mínimas nas condições de pagamento para os credores, as quais não refletem a real capacidade financeira da Samarco, além de conceder às acionistas controladoras posição privilegiada, ilegal e abusiva”.  

Os credores afirmam à Justiça que a condição financeira proposta para o pagamento da dívida é inaceitável. Pelos cálculos do grupo, apresentados à Justiça, a Samarco propõe que os credores quirografários, que são aqueles sem garantia, aceitem o pagamento de seus créditos com um desconto total de 96,8%. “A condição geral de pagamento proposta aos credores quirografários pela Samarco e suas acionistas controladoras no plano consiste, basicamente, no perdão de dívida”, dizem.

A alternativa dada pela Samarco aos credores, segundo eles, é de se tornarem acionistas da Samarco, mas sem  direitos políticos. “Essa opção seria cômica, se não fosse trágica e ilegal”, afirmam.

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