Crescimento econômico impulsiona inovação tecnológica no País, diz IBGE

Uso da Internet como 'fonte do processo inovativo' foi citado por 68,8% dos estabelecimentos no setor industrial

Jacqueline Farid, da Agência Estado,

29 de outubro de 2010 | 10h16

A inovação tecnológica aumentou no Brasil nos últimos anos, inclusive na indústria. Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec) relativa ao período 2006-2008 divulgada pelo IBGE mostra que a taxa de inovação - porcentual de empresas investigadas na pesquisa que são inovadoras em processos ou produtos - chegou a 38,6% em 2008, ante 34,4% na pesquisa anterior, relativa a 2005.

Na indústria, segundo a Pintec, houve um forte incremento da inovação tecnológica nesta década. Se em 2000 a taxa de inovação no setor era de 31,5%, em 2005 atingia 33,5% e em 2008, subiu para 38,1%. A gerente da pesquisa, Fernanda Vilhena, atribui o crescimento a "um momento econômico muito favorável".

Segundo ela, os indicadores macroeconômicos relativos a Produto Interno Bruto (PIB), investimentos, consumo das famílias, importações e exportações registraram bons resultados no período pesquisado, o que tem efeitos positivos sobre a inovação.

Fernanda explica que as inovações estão diretamente relacionadas ao desempenho da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF). "Hoje no Brasil permanece o padrão de fazer inovação modernizando o parque industrial, com compra de máquinas e equipamentos, ou lançamento de novos produtos que também dependem da compra de novas máquinas, daí a ligação estreita entre investimentos e inovação", disse ela. Internet

A Pintec revelou que o uso da Internet como "fonte do processo inovativo" foi citado por 68,8% dos estabelecimentos no setor industrial entrevistados, "caracterizando-se como o principal instrumento de inovação". Nos serviços , o porcentual foi ainda maior, de 78,7%. Os técnicos da pesquisa destacam que a Internet não havia sido apontada como principal fonte de inovação em nenhuma das três edições anteriores da Pintec, ocupando no máximo a quinta posição em 2005.

A pesquisa mostrou também que crescimento do porcentual de empresas inovadoras que utilizaram pelo menos um instrumento de apoio governamental, passando de 18,8% em 2005 para 22,3% em 2008. Ainda segundo a Pintec, o crescimento da taxa de inovação não evitou que o número de empresas com dificuldades ou obstáculos tenha aumentado de 35,2% do total de empresas investigadas em 2005 para 49,8% em 2008. A falta de pessoal qualificado é apontada por 57,8% das empresas como um dos principais obstáculos à inovação.

De acordo com a Pintec, em 2008 as oito atividades que apresentaram maiores taxas de inovação foram automóveis, camionetas, utilitários, caminhões e ônibus (83,2%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (63,7%), outros produtos eletrônicos e ópticos (63,5%), produtos químicos (58,1%), equipamentos de comunicação (54,6%), equipamentos de informática e periféricos (53,8%), máquinas e equipamentos (51,0%) e componentes eletrônicos (49,0%).

Segundo a pesquisa, as taxas de inovação alcançadas pelos serviços entre 2006 e 2008 "estão entre as mais elevadas", incluindo desenvolvimento e licenciamento de programas de computador (58,2%), telecomunicações (46,6%), outros serviços de tecnologia da informação (46,1%), edição e gravação e edição de música (40,3%) e tratamento de dados, hospedagem na internet e outras atividades relacionadas (40,3%). 

Destaques

A Pintec investigou 106 mil empresas e, dessas, 100 mil são empresas industriais. A pesquisa aborda empresas do setor industrial e de serviços (incluindo edição, telecomunicações, informática). Fernanda disse que os destaques de inovação nas indústrias em 2008 ficaram com o setor farmacêutico (por causa da fabricação de medicamentos genéricos), indústria química (com inovação de processos, inclusive em meio ambiente), além de produtos com "alto componente tecnológico) como TV Digital e produtos de informática, como notebooks.

Outro segmento industrial destacado por Fernanda é o de alimentos que, segundo ela, não tem alta intensidade tecnológica, mas inovou com a fabricação de produtos light e diet e também funcionais (iogurte com fibras, maionese sem colesterol).  Ela citou ainda a indústria automobilística, tanto pelo desenvolvimento de novos modelos como peças e acessórios.

A Pintec também mostra os gastos com inovação, em relação ao faturamento das empresas, permaneceu estável em quatro anos, o que, segundo Fernanda, mostra que o patamar de despesas nessa área aumentou. Em 2005, as atividades inovadoras foram foco de gastos equivalentes a 2,8% % do faturamento das empresas. Em 2008, a fatia era praticamente similar, de 2,85%.

"Os dados apontam uma estabilidade, mas é importante ressaltar que, como esse foi um período de crescimento econômico e elevação do faturamento das empresas, o gasto inovativo cresceu no mesmo ritmo da expansão da receita, o que não é pouco", disse a gerente da pesquisa.  O investimento total das empresas em atividades inovativas alcançou R$ 54,1 bilhões em 2008, R$ 12,8 bilhões a mais que em 2005.

Segundo o IBGE, a Pintec tem o objetivo de fornecer dados para a construção de indicadores das atividades de inovação tecnológica das empresas brasileiras nos setores industrial, de serviços selecionados (edição, telecomunicações e inofrmática) e de pesquisa e desenvolvimento. A série da pesquisa teve início no ano 2000 e o levantamento sempre aborda um período de três anos.

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