Criação de nova bolsa confirma confiança no Brasil, diz analista

Para Henrique Kleine, da Magliano Corretora, a capacidade de evolução das empresas brasileiras mostra que todos passaram bem pela crise

Maria Regina Silva, da Agência Estado,

17 de fevereiro de 2011 | 12h56

A criação de uma nova bolsa no Brasil pela operadora global de bolsas de valores Bats Global Markets é positiva, pois confirma a credibilidade do mercado de capitais brasileiro no exterior. A avaliação foi feita hoje (17) pelo analista da Magliano Corretora, Henrique Kleine, durante entrevista à AE TV, da Agência Estado. "Demonstra um interesse dos investidores estrangeiros pelo Brasil num momento de visibilidade crescente do nosso mercado lá fora", disse.

Para o analista, essa reputação é resultado dos bons fundamentos macroeconômicos internos que permitiram às companhias brasileiras uma recuperação rápida diante da crise internacional. "A capacidade de evolução das empresas (brasileiras) mostra que todos passaram (bem) pela crise e estão conseguindo se recuperar, como mostram os resultados trimestrais (das empresas)", disse.

Klein afirmou que vê como "pontual" a queda de 4,74% do valor das ações da BM&FBovespa na última terça-feira, dia do anúncio da intenção de criação da nova bolsa. "O mercado é muito imediatista e uma notícia desse porte - de concorrência para a Bolsa - cria uma certa desconfiança para o investidor. Mas acredito que o movimento é pontual", avaliou.

Sobre as últimas informações de fusão entre bolsas de valores internacionais, como a anunciada esta semana entre a alemã Deutsche Boerse e a NYSE Euronest, o analista considera o processo uma tendência mundial. "O mercado está inclinado a esse tipo de operação e deve migrar para a América Latina", disse. Segundo ele, a união entre esses mercados seria uma forma de amenizar riscos e tornar as bolsas mais fortalecidas. "Acho favorável a união entre bolsas, que deve permite maior viabilidade para o investidor e, consequentemente, teremos um aumento considerável no volume de negócios", disse.

Ibovespa

As incertezas em relação ao novo governo da presidente Dilma Rousseff, segundo Klein, explicam a fuga de investidores externos da Bolsa paulista neste início de 2011. "Foi um ajuste de início de ano especialmente pelo fato de um novo governo estar assumindo o País já com o debate em torno de medidas macroprudenciais, do corte no Orçamento, e do novo salário mínimo. Tudo isso gera expectativa no mercado", explicou.

Para o analista, com essas questões resolvidas e a economia internacional sinalizando retomada, a Bovespa deverá encerrar 2011 acima de dos 70 mil pontos. "As empresas estão bem, apresentando bons resultados trimestrais e, num dado momento, o mercado vai começar a precificar esse cenário, já que 'valuation' (o valor justo de uma ação) está muito barato e ainda temos algumas empresas com preços atrativos", finalizou.

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