Criação de vagas tem pior julho em 10 anos

Foram gerados 41,4 mil empregos formais no mês passado; ministro do Trabalho não considera dado preocupante

Célia Froufe, Agência Estado

21 de agosto de 2013 | 14h24

BRASÍLIA - O saldo líquido de empregos formais gerados em julho foi de 41.463 vagas, conforme o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado nesta quarta-feira, 21, pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O resultado é o menor para o mês desde 2003, quando a série sem ajuste registrou a criação de 37.233 vagas.

A geração de empregos em julho foi 77% menor do que em julho do ano passado, quando ficou em 183.347 pela série ajustada. Já pela série sem ajuste, a preferida do Ministério, a queda foi de 70,9% na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando o volume de vagas criadas foi de 142.496. No acumulado do ano até julho, houve criação líquida de empregos formais de 907.214 vagas.

Segundo o ministro do Trabalho, Manoel Dias, os números apresentados são bons, pois ainda estão no terreno positivo. "Não há preocupação do governo, pois estamos aumentando vagas", afirmou. "Sinceramente, eu não acho preocupante", acrescentou.

Para Manoel Dias, os números do emprego estão de acordo com outras taxas da economia. "Eu não fiquei desapontado, porque nossa realidade é de um PIB de 1% ou 2%. Não é um número que eu gostaria de divulgar, mas é o que temos com um PIB de 1% ou 2%", considerou. Depois, o ministro disse que "o número de hoje não é ótimo; ótimo seria criar 1 milhão de vagas."

 

 

Dias evitou fazer uma projeção para os dados do Caged de agosto e do ano. "Nem eu nem ninguém tem condições de prever números do ano", disse o ministro. O resultado de julho ficou abaixo do piso das estimativas do AE Projeções (de 70 mil a 138,8 mil). A mediana esperada era de 100 mil novas vagas.

Mesmo com números abaixo do esperado, o ministro argumentou que há uma previsão muito negativa da economia que não corresponde à realidade do País. Ele citou que os investimentos continuam no Brasil, que há o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a Copa do Mundo e a Olimpíada ainda.

Regiões metropolitanas no negativo. O conjunto das nove áreas metropolitanas pesquisadas pelo MTE apresentou perda de 11.058 postos com carteira assinada em julho. As regiões estão nos Estados da Bahia, Ceará, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo.

De acordo com a Pasta, o resultado é fruto da redução de emprego em sete delas, com exceção de Belém (1.473) e Fortaleza (803). As demais registraram as seguintes perdas: Recife (5.213), Porto Alegre (2.280), Belo Horizonte (1.657), São Paulo (1.455), Salvador (1.069), Curitiba (1.038) e Rio de Janeiro (622).

Já os interiores dos aglomerados tiveram um aumento quase que generalizado do emprego, com a criação conjunta de 35.587 postos. As quedas foram vistas no interior do Rio Grande do Sul (1.364) e Rio de Janeiro (136). Já os que mais geraram emprego no mês passado foram Minas Gerais (13.290), São Paulo (9.929) e Bahia (4.349).

O diretor do Departamento de Emprego e Salário do Ministério, Rodolfo Torelly, destacou que o interior não está sendo tão afetado pela preocupação dos mercados, que atinge as capitais e grandes cidades. "Lá, as coisas estão acontecendo", afirmou.

A avaliação do diretor é a de que o mercado de trabalho está muito irregular, principalmente nas áreas metropolitanas. Tanto que esta é a primeira vez em um mês de julho que a região metropolitana fica negativa desde 2003. "A situação está mais estável no interior, onde o capital é mais 'verde e amarelo'", disse. Por este raciocínio, os investimentos no interior  do País são mais "brasileiros" e, portanto, menos contaminados pela situação global.

Setores. Os segmentos que mais fecharam vagas foram os de serviços (4.545) e indústria (3.610). Nos setores de extração mineral e de serviços industriais de utilidade pública, as demissões superaram as contratações em 236 e 1.321 postos respectivamente. No comércio, a geração foi positiva, mas muito fraca, de 1.545 vagas. Nos serviços, a contratação foi de 11.234 trabalhadores em julho e, na construção civil, de 4.899. Na administração pública houve estabilidade (55 novos postos). A agricultura foi o segmento que mais ajudou a sustentar o resultado positivo do Caged, ao contratar 18.133 pessoas a mais do que demitiu.

A Região Sul do País fechou 500 vagas de trabalho com carteira assinada em julho e o Rio Grande do Sul foi o Estado que mais suprimiu postos: 3.644 vagas, já descontadas as contratações do período.

A liderança das admissões seguiu com o Sudeste, com a geração de 17.418 postos. A região foi seguida por Centro-Oeste (16.775), Nordeste (10.005) e Norte (7.765). Das 27 unidades da federação, em seis houve mais demissões do que contratações no mês passado.

Além do Rio Grande do Sul, também apresentaram números negativos os Estados de Pernambuco (2.901), Espírito Santo (1.934), Rio de Janeiro (755), mato Grosso do Sul (105) e Paraíba (92). Já o destaque positivo ficou com Minas Gerais (11.633), seguido por São Paulo (8.474), Mato Grosso (4.396), Pará (3.742) e Amazonas (3.335).

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