Criador paulista foca na produção de carne de qualidade

Embora com área menor de pasto, Estado reúne condições para exportação

José Maria Tomazela, Estadão

19 de outubro de 2007 | 17h06

A pecuária de corte paulista vive nova fase. A melhoria nos preços da carne e a exigência do mercado externo de produto com mais qualidade e demanda crescente também no mercado interno levam os criadores a aumentar os investimentos nos plantéis. Assim, o gado resultante de cruzamentos com raças européias, precoce e com bom acabamento de carcaça, volta a ser valorizado. Atentos ao mercado mais exigente, frigoríficos premiam lotes que, no abate, têm carcaça com bom padrão de gordura e marmoreio (gordura entremeada entre as fibras). Potencial O alto custo da terra e a pressão das lavouras, principalmente a cana, sobre as pastagens também levaram pecuaristas a adotar técnicas adensadas de criação, como o confinamento. A técnica é favorecida pela boa disponibilidade de subprodutos da agroindústria, como o bagaço de cana, as polpas cítrica e de cevada, e resíduos do processamento de grãos. "Os novos rumos da pecuária brasileira têm tudo a ver com São Paulo", diz o diretor da Associação Brasileira do Novilho Precoce (ABNP), Auler Matias. O Estado reúne, segundo ele, condições para ser um centro de engorda e abate. "Não temos sobra de áreas, mas possuímos uma ótima planta de frigoríficos e boas estradas e aeroportos." A grande oferta de resíduos do processamento agrícola abre campo para a redução do custo da alimentação nos confinamentos. A associação lançou o Programa de Produção Integrada de Carne com Qualidade e está editando um manual de boas práticas na criação. Também luta pela aplicabilidade dos requisitos para a produção do novilho precoce, com base em parâmetros fixados pela Associação Brasileira de Normas Técnicas, como idade de abate, sexo, peso e conformação da carcaça, inclusive a cobertura mínima de gordura. "Uma das nossas bandeiras é o cruzamento industrial bem feito, e nenhuma raça ficará fora." Chips Outro objetivo é a identificação eletrônica dos animais com chip. "É um sistema de rastreabilidade sem risco." O rebanho chipado ainda é pequeno: 120 mil animais no País, dos quais 25 mil em SP. No total, o rebanho paulista tem 12,6 milhões de cabeças. Para o presidente da Associação Paulista de Criadores de Gado Pardo-Suíço, José Lopez Fernandez Neto, a disputa dos frigoríficos pelo mercado da carne com qualidade contribui para "turbinar" a pecuária paulista. "Há nítida procura pelo gado diferenciado para exportação e para a alta gastronomia no mercado interno." Segundo ele, o consumidor valoriza a carne não só pela aparência, mas também pelo sabor e maciez. Isso gerou nova demanda de material genético de raças européias para cruzamento industrial com nelore de qualidade. Abate Fernandez Neto, que cria pardo-suíço em Itapeva (SP), concordou em "sacrificar" 30 animais puros do seu plantel para comprovar a qualidade da carcaça. Esse abate diferenciado foi feito no início de setembro, no frigorífico da Marfrig, em Promissão (SP). "É a primeira vez no Brasil que se abate animal puro da raça, mas é uma boa aposta", disse o criador. O abate foi conduzido para reduzir ao máximo o stress no animal. O gado ficou confinado 90 dias, nos quais obteve média de ganho de peso de 1,6 quilo/dia. No fim, foi para o abate com peso médio de 490 quilos e idade entre 15 e 18 meses. O diretor do Marfrig, Roberto Barcellos, acompanhou o abate e gostou. "O acabamento da carcaça é ótimo. A capa de gordura está muito bem distribuída e na espessura certa."

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