Crise corta vagas e reduz produção de calçados em Franca

Cidade paulista, que deve produzir 1,2 milhão de pares a menos este ano, fechou 28% dos postos de trabalho em cinco meses

Rene Moreira, especial para o Estado

15 de julho de 2014 | 10h12

Franca, cidade paulista que tem no setor calçadista sua principal fonte de renda, prevê produzir 1,2 milhão de pares a menos este ano em relação a 2013.

O setor no município também viu o número de postos de trabalho retrair 28% nos cinco primeiros meses deste ano, segundo o Caged (Cadastro Geral dos Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho e Emprego.

No País, a situação do setor não é muito diferente. O faturamento com as exportações em 2013 ficaram em apenas US$ 1,1 bilhão. Em 2007, por exemplo, o número ficou na casa dos US$ 2 bilhões.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca, José Carlos Brigagão do Couto, acredita que o cenário econômico brasileiro desfavorável deve durar até dezembro e ainda ser sentido no início do ano que vem.

Os números do Caged indicam que de janeiro a maio deste ano o número de contratações nas indústrias da cidade ficou em 5.794, contra 8.054 no mesmo período do ano passado. "É preciso fazer alguma coisa para reverter essa situação", afirma Brigagão.

Ele sugere a redução do ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para o varejo calçadista. E ainda uma política para conter a invasão dos produtos chineses. "Temos informação de que um centro de distribuição de calçado asiático estará sendo montado em Santa Catarina. Se isso acontecer será mais um golpe contra o sapato brasileiro", prevê.

Feira. Para tentar salvar o segundo semestre os calçadistas apostam na Francal para fechar bons negócios. A 46ª edição da Feira Internacional da Moda em Calçados e Acessórios começa nesta terça-feira, 15, no Anhembi, em São Paulo e seus números refletem a crise no setor. De Franca, por exemplo, são 43 empresas expositoras, contra 60 no ano passado.

O motivo seria o custo para expor os produtos. As empresas alegam não ter como investir devido à queda de faturamento no primeiro semestre. Algumas, para não ficar de fora do evento que deve atrair 60 mil visitantes, enviaram representantes para hotéis da região. A ideia é "pescar" lojistas e importadores para negociar fora do pavilhão do pavilhão do Anhembi.

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