Paulo Vitor/Estadão
Paulo Vitor/Estadão

Crise da Oi pode acarretar perdas de R$ 12 bilhões a BNDES, BB e Caixa

Saída do presidente da operadora colocou em xeque a reestruturação de dívida de R$ 49,3 bilhões; exposição de bancos públicos à empresa, que recebeu apoio estatal para virar uma ‘campeã nacional’, é alta

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

14 Junho 2016 | 05h00

A crise da operadora de telefonia Oi, agravada na última sexta-feira, 10, com a renúncia do presidente executivo Bayard Gontijo, pode levar três bancos públicos – BNDES, Caixa e Banco do Brasil – a perder cerca de R$ 12 bilhões, apurou o ‘Estado’. A saída inesperada do principal executivo da empresa em meio a desentendimentos com os principais acionistas, põe em risco o processo de reestruturação financeira da companhia e deixa a operadora cada vez mais próxima de ser obrigada a pedir recuperação judicial, afirmaram fontes familiarizadas com o assunto. Os três bancos são os maiores credores individuais da Oi.

Nesta segunda-feira, 13, a conselheira Robin Bienenstock, membro independente do conselho de administração da Oi, também renunciou ao cargo por discordar da saída de Gontijo. Fontes afirmaram ao Estado que o presidente do conselho de administração da companhia, José Mauro Mettrau Carneiro da Cunha, nome indicado pelo BNDES, também poderia deixar o grupo. Procurado pela reportagem, o banco não comentou o assunto. Cunha chegou a assumir temporariamente a presidência da Oi logo após a saída do executivo Franscico Valim, em 2013.

Com dívida bruta de R$ 49,3 bilhões no primeiro trimestre deste ano, a companhia estava tentando nos últimos meses, sob a gestão de Gontijo, renegociar seus débitos bilionários em um acordo extrajudicial, evitando, assim, o pedido de recuperação judicial.

Segundo afirmou uma fonte próxima da operação ao Estado, um dos maiores acionistas individuais da tele, atrás da Pharol (que reúne os acionistas da Portugal Telecom), o BNDES tem cerca de R$ 4 bilhões a receber da empresa. O Banco do Brasil concedeu empréstimos de cerca de R$ 4,5 bilhões – somando os recursos de suas gestoras de ativos, o total chega a R$ 5 bilhões, ainda segundo a fonte, enquanto a Caixa repassou R$ 3 bilhões. Procurados pela reportagem, BB, Caixa e BNDES não se pronunciaram.

Na proposta que ainda está sendo negociada, os bancos públicos não só teriam de alongar os prazos, como ainda ficariam com “spread” (diferença entre o custo de captação de recursos e o valor cobrado pela operação) negativo. Outros credores poderiam transformar a dívida em participação acionária.

Para outra parcela da dívida, a Oi buscava encontrar um investidor que comprasse seus débitos com descontos entre 50% e 70% do valor real, segundo fontes. Em abril, a empresa anunciou a contratação do banco americano Moelis para dar início à reestruturação de sua dívida. Procurado, o Moelis não quis comentar o tema.

Caso a empresa entre em recuperação judicial, toda essa negociação deixa de valer, segundo pessoas próximas ao caso. “Se a Oi entrar com pedido de recuperação judicial, o que parece cada vez mais próximo, os bancos públicos entram na fila comum dos credores”, disse uma fonte.

Reunião. Nesta segunda-feira, Marco Schroeder, que assumiu a presidência executiva no lugar de Gontijo, tentou tranquilizar executivos da empresa. Está prevista para hoje uma teleconferência entre acionistas da Oi e a PJT Partners, consultoria americana contratada para reunir credores internacionais. Amanhã, o conselho se reunirá para definir os próximos passos da Oi.

O clima é de incerteza no mercado. A dúvida é se Schroeder, pouco conhecido no mercado financeiro, segundo fontes do setor, será capaz de dar continuidade à reestruturação. No início da semana passada, Gontijo estava em Nova York para negociar com credores internacionais. Segundo uma fonte, executivos e acionistas discordaram sobre contrapropostas a serem feitas aos credores. Procurada, a Oi não comentou.

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