Crise global reduziu risco de superaquecimento Brasil, diz FMI

Para diretor do departamento Ocidental do Fundo, crise tem sido 'benção disfarçada' para países da América do Sul

Álvaro Campos, da Agência Estado,

19 de outubro de 2011 | 15h40

O diretor do departamento Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI), Nicolas Eyzaguirre, alertou nesta quarta-feira, 19, que a crescente crise financeira internacional tem sido uma "bênção disfarçada" para vários países da América do Sul, reduzindo o risco de superaquecimento no Brasil, Chile e Peru.

Ele comentou que muitos desses países tinham políticas monetárias e fiscais para reagir à iminente "tempestade global". "A política monetária, no entanto, precisa ser a primeira linha de defesa", acrescentou ao participar de um seminário no Chile.

Moedas

O FMI destacou ainda que o uso das moedas de Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul (BRICS) em operações internacionais cresceu nos últimos anos e pode aumentar ainda mais daqui para frente, visto que todas essas economias possuem importância significativa em termos regionais e até mesmo globais - caso dos chineses.

De acordo com o órgão, o uso de reais em operações com derivativos internacionais aumentou cerca de 50% entre 2004 e 2010, enquanto a utilização da rupia indiana e do rublo russo mais que dobrou. O uso do yuan aumentou cerca de 12 vezes durante o período.

Em 2010, a China respondeu por quase 9% do comércio mundial, mais do que o Japão, que ficou com uma fatia de 4,5%. Além disso, o fluxo comercial chinês deve superar o dos EUA nos próximos cinco anos. Os demais BRICS estão conquistando espaço no comércio mundial ou mantendo suas posições - caso do Brasil e da África do Sul, mas todos estão bastante atrás da China e encontram-se a uma distância significativa de países desenvolvidos, algo que não deve mudar nos próximos anos. Em termos de comércio regional, no entanto, o Brasil teve um crescimento considerável nos últimos dez anos, superando seus parceiros de BRICS, com exceção da China.

Segundo o FMI, além do comércio, também contribuem para a internacionalização das moedas emergentes a profundidade dos mercados financeiros domésticos e a liquidez dos mercados externos, a abertura financeira de cada economia e as políticas de cada país para estimular o uso global de sua divisa.

O documento afirma que o interesse em moedas emergentes começou a crescer depois que a crise financeira mundial e as preocupações com o caráter de reserva de valor das principais moedas mundiais vieram à tona. A maior procura foi "motivada pelos fortes fundamentos (dessas divisas) e também reflete o desejo de maior diversificação e menos ativos correlatos".

O FMI ressaltou também que a concentração de várias funções do sistema monetário internacional em duas moedas, o dólar e o euro, embora seja eficiente, pode aumentar a vulnerabilidade sistêmica aos choques e às políticas dos emissores dessas divisas.

As informações são da Dow Jones.

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