Crise imobiliária dos EUA derruba bolsas mundiais

Investidores temem que reflexos negativos se estendam para o resto da economia; Bovespa despenca 3,86%

Leandro Modé, do Estadão,

25 de julho de 2007 | 09h08

O temor de que a crise imobiliária nos Estados Unidos atinja outros setores da economia voltou a ganhar força na terça-feira e provocou uma queda generalizada das bolsas de valores mundiais. A maioria dos analistas acredita que o desempenho negativo foi pontual e não deve significar uma mudança na tendência de alta dos mercados acionários.   No Brasil, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) despencou 3,86%. Em Nova York, o Índice Dow Jones recuou 1,62% e a bolsa eletrônica Nasdaq caiu 1,89%.    Na Europa, a Bolsa de Londres teve baixa de 1,90% e a de Frankfurt, de 1,73%. O mercado de câmbio também foi afetado: o dólar subiu mais de 1% ante o real, para R$ 1,861, e o euro renovou o recorde alta em relação à moeda americana, a US$ 1,3854 na máxima do dia. O risco Brasil avançou 5,33%, para 178 pontos.   "Não acredito que haja uma mudança na tendência para as bolsas. Mercados em alta têm seus dias de correção", disse Márcio Appel, diretor-executivo da Santander Asset Management. "Nas atuais condições de temperatura e pressão, o mercado está mesmo sujeito a chuvas e trovoadas", definiu Alexandre Póvoa, diretor da Modal Asset Management.   Dois fatores deixaram os investidores nervosos. A Countrywide Financial, maior empresa de crédito hipotecário dos Estados Unidos, anunciou na terça-feira que seu lucro líquido no 2º trimestre caiu 33% em relação a igual período de 2006. A companhia atribuiu a queda aos calotes nos empréstimos concedidos a clientes com histórico de crédito duvidoso (segmento conhecido como subprime).   A Countrywide avisou também que os resultados do ano serão menores do que os esperados anteriormente por causa dos prejuízos nessa área. O presidente-executivo da empresa, Angelo Mozilo, afirmou que é pouco provável que o mercado imobiliário americano melhore antes de 2009.   Uma notícia do Wall Street Journal também afetou os negócios. De acordo com o jornal, um grupo de instituições de Wall Street - entre elas Citigroup, Lehman Brothers e Merrill Lynch - adiou a captação de US$ 3,1 bilhões em mercado.   Os recursos seriam repassados para as empresas de private equity Carlyle Group e Onex Group comprarem a Allison, unidade de transmissão da General Motors. Uma das grandes preocupações dos investidores era justamente que a crise imobiliária levasse a uma redução do crédito corporativo.   No caso da Bovespa, a queda foi mais acentuada por conta do recuo das cotações do petróleo no exterior, que afetou as ações da Petrobrás. Os papéis preferenciais da empresa, os mais negociados da bolsa, despencaram 4,89%. As ações ordinárias perderam 4,23%. Os contratos de petróleo para entrega em setembro caíram 1,78% em Nova York e 2,32% em Londres.   Vaivém   O tranco desta terça da Bovespa foi o terceiro do ano. O primeiro, de 6,63%, ocorreu no dia 27 de fevereiro, quando a Bolsa de Xangai derrubou os mercados mundiais. O segundo, no dia 13 de março, fez a bolsa paulista cair 3,39% e se deveu ao início dos temores com a crise imobiliária americana. Mesmo assim, no ano, a Bovespa acumula alta de 25,46%.   "Como os mercados estão 'esticados', todos se perguntam quando virá uma reavaliação global da percepção de risco", disse Dalton Gardiman, economista-chefe do banco Credit Lyonnais. "Isso não ocorreu nas outras duas quedas fortes das bolsas e também agora nossos 'sismógrafos de risco' não mostram mudança de tendência."   Para ele, o investidor deve continuar atento aos fundamentos da economia global, sobretudo da americana. "Uma fadiga no crescimento dos EUA seria péssima notícia", exemplificou.

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