Crise muda perfil agrícola do oeste baiano

Entre os fatores estão queda nos preços das commodities e as dificuldade de acesso às linhas de financiamento

Alexandre Inacio, da Agência Estado,

28 Outubro 2008 | 20h26

A queda nos preços das commodities e as dificuldades de acesso às linhas de financiamento para o plantio, decorrentes da crise financeira global, provocaram mudanças perfil da exploração agrícola no oeste baiano, onde estão situados os pólos de Barreiras e Luis Eduardo Magalhães. A principal alteração está no avanço da soja, em detrimento do plantio do milho. A área que começa ser cultivada em novembro deve se manter praticamente estável. Dados da Associação dos Irrigantes da Bahia (Aiba) indicam que as três principais culturas - soja, milho e algodão - ocuparão 1,42 milhão de hectares na safra 2008/09, ante os 1,41 milhão cultivados na safra 2007/08. O levantamento mostra que o cultivo de milho, cuja participação foi de 41% da área plantada na safra passada, ocupará apenas 13% do espaço destinado à agricultura no ano-agrícola 2008/09. A explicação para a perda de interesse pelo plantio de milho é a perspectiva de baixa rentabilidade da cultura. Os cálculos dos produtores do Estado mostram que cada hectare de milho exigira o desembolso de R$ 2,1 mil, com expectativa de faturamento de R$ 2,2 mil, resultando em uma margem de lucro de 4,76%. "O milho é o produto mais instável e o primeiro a ser deixado de lado pelos agricultores em momentos como esse. Além de ser mais caro que a soja, não tem financiamento das tradings e sofre a concorrência do milho do Mato Grosso no mercado do Nordeste", afirma João Carlos Jacobsen, vice-presidente da Aiba. grande destaque da próxima safra na Bahia será a soja, que ocupará 67% da área plantada, segundo a Aiba. A cultura apresenta a segunda maior rentabilidade no Estado, com o menor custo de produção. Para cultivar um hectare de soja o produtor deve gastar nesta safra de R$ 1,4 mil, com faturamento estimado de R$ 1,53 mil por hectare, garantindo margem líquida de lucro de 9,29%. No caso do algodão, que tem o custo mais elevado, estimado em R$ 4 mil por hectare, o faturamento previsto é de R$ 4,4 mil, o que garante a maior margem, de 10%. Na avaliação de Jacobsen, o forte aumento da participação da soja é um fator que deve preocupar no futuro. Para ele, concentrar em uma fatia muito grande o faturamento da atividade pode ser arriscado no futuro. "Se tivermos algum problema no futuro com os preços da soja a rentabilidade da agricultura no Estado pode ser afetada", alerta.

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