Crise na Europa leva investidor a apostar em corte maior da taxa de juros no Brasil

Apesar das reiteradas vezes em que o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, falou em ajustes moderados da taxa básica de juros (Selic), o mercado enxerga na piora da economia global motivos para um corte mais agressivo

Márcio Rodrigues, de O Estado de S. Paulo,

24 de novembro de 2011 | 22h56

Apesar das reiteradas vezes em que o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, falou em ajustes moderados da taxa básica de juros (Selic), o mercado enxerga na piora da economia global motivos para um corte mais agressivo.

Na semana que vem, o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne para decidir a taxa. Até o início desta semana, a maioria dos analistas financeiros e dos investidores apostava em um corte de 0,5 ponto porcentual da Selic, para 11%.

Hoje, porém, os investidores do mercado futuro de juros já mudaram, em sua maioria, a aposta. A corrente dos que apostam na BM&FBovespa em uma redução mais agressiva da taxa Selic, para 10,75% ao ano, já supera 60%.

A principal explicação são as notícias da crise europeia. Nesta quinta-feira, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, voltou a se posicionar contra a proposta de emissão de bônus conjuntos pelos países da União Europeia (ou seja, com aval dos países mais ricos, como a Alemanha) e também contra a maior intervenção do Banco Central Europeu (BCE) no mercado.

"Angela Merkel continua refutando as hipóteses mais aceitas para resolver os problemas na zona do euro. Como o Banco Central tem tomado suas decisões com base no quadro internacional, essa piora leva os investidores a trabalhar com a possibilidade de uma decisão mais agressiva", disse o economista do banco Besi Brasil, Flávio Serrano.

As notícias da Europa foram levadas mais em conta pelos investidores do que o noticiário brasileiro: a queda do desemprego, de 6% para 5,8% em outubro, o que poderia pressionar a inflação, e a alta do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fipe. A terceira prévia de novembro do IPC apresentou variação de 0,60%, apontando aceleração ante 0,59% na segunda leitura do mês e 0,34% em outubro.

Investidores x economistas

A aposta dos investidores em um corte mais agressivo dos juros representa uma mudança recente de atitude - que pode voltar a mudar de uma hora para a outra. Os economistas de bancos, corretoras e consultorias, que não mudam suas posições dia a dia, estão mais cautelosos.

De 71 instituições consultadas em uma pesquisa do serviço AE Projeções, da Agência Estado, 70 informaram esperar uma redução de 0,5 ponto porcentual na próxima reunião do Copom.

Para o ano que vem, a maioria dos analistas consultados dá como certa a continuidade da política de corte de juros. De 58 instituições que fizeram estimativas para 2012, 20 dizem que a taxa encerrará o ano em 10%. Outras 19 esperam que os juros terminem o ano em 9,5%.

Apenas oito instituições preveem que a Selic atingirá 10,5%, ante cinco que estimam taxa de 9%. Para outras quatro casas, os juros chegarão a 9,75%, enquanto somente uma instituição projeta 11,50%, caso da Telefônica, e outra espera juros na marca de 10,25%: a Porto Seguro Investimentos. COLABORARAM MARIA REGINA SILVA e FLAVIO LEONEL

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.