Crise pode ter custado aos EUA US$ 24 bi

Cálculo da S&P inclui contratos paralisados, cargas paradas nos portos e perdas com turismo

Cláudia Trevisan, correspondente,

16 de outubro de 2013 | 22h41

A paralisação do governo e a ameaça de calote na dívida dos Estados Unidos custou bilhões ao país, afetou a confiança de investidores, consumidores e empresários e deverá reduzir o ritmo de expansão da economia americana neste último trimestre.

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s estimou ontem em US$ 24 bilhões o custo do fechamento da administração federal nos últimos 16 dias, por causa do impasse no Congresso sobre o teto do endividamento do país. Cerca de 850 mil funcionários deixaram de receber salário e a maioria foi impedida de trabalhar.

Contratos com fornecedores foram paralisados, a indústria de turismo sofreu com o fechamento de museus, parques e monumentos, milhares de pessoas deixaram de receber programas sociais, enquanto o comércio ficou à espera de contêineres retidos nos portos.

Na previsão da S&P, essa crise deverá subtrair pelo menos 0,6 ponto porcentual do crescimento no quarto trimestre. Antes, a agência previa expansão anualizada de 3%, mas aproximou sua estimativa dos 2%.

Rebaixamento. Há dois anos, a própria Standard & Poor’s rebaixou a classificação da dívida soberana dos Estados Unidos de AAA, o nível mais alto, para AA+, logo depois de uma crise semelhante à atual em torno da elevação do limite de endividamento do Tesouro.

Na quarta-feira, outra agência de classificação de risco, a Fitch Ratings, anunciou que poderá seguir o mesmo caminho quando concluir a revisão da nota americana, ao fim do primeiro trimestre de 2014.

A ameaça de default foi afastada por enquanto pelo acordo fechado ontem entre democratas e republicanos, mas a dúvida é se o confronto voltará a ocorrer em três ou quatro meses, quando vencerem os novos prazos fixados na legislação.

De acordo com a Fitch, o risco de "episódios similares" se repetirem será um dos fatores que vão orientar sua decisão. Na avaliação da agência, confrontos frequentes em torno do teto de endividamento podem minar o papel do dólar como moeda de reserva de valor global, ao afetar a confiança no crédito dos Estados Unidos.

"Essa ‘confiança’ é a principal razão pela qual a nota AAA dos Estados Unidos pode tolerar um nível substancialmente maior de dívida pública do que outros AAA soberanos", observou a Fitch. 

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