Cristina Kirchner diz que corrida por dólares está sob controle

A presidente da Argentina qualificou o momento vivido atualmente pelo país como uma sintonia 'fina entre competitividade e inclusão social'

Marina Guimarães, da Agência Estado,

22 de novembro de 2011 | 16h32

Há poucos dias para o início de seu segundo mandato na presidência da Argentina, Cristina Kirchner, disse nesta terça-feira, 22, que a corrida por dólares no mercado interno está sob controle, mas queixou-se da remessa de lucros das empresas ao exterior. No encerramento da conferência anual da União Industrial Argentina (UIA), equivalente à Confederação Nacional da Indústria, Cristina falou que o momento é de uma "sintonia fina entre competitividade e inclusão social, não à custa de salários ou de impostos".

"O comportamento das moedas de todos os países da América Latina estão sob o efeito de sobe e desce, mas na Argentina está equilibrada, sem mudanças bruscas. Se querem desvalorizações, então, não me venham com reclamações sobre a inflação", disse Cristina. "Nosso modelo é de crescimento e não de meta de inflação porque o modelo de meta de inflação é um consenso de Washington que levou à destruição do crescimento dos países centrais", afirmou Cristina, falando para empresários do país.

A presidente argentina disse que, na reunião recente entre os presidentes do G-20 em Cannes, não escutou novas ideias para os problemas econômicos, sociais e políticos que pesam sobre as economias desenvolvidas. "A falta de novas ideias é um problema mundial. Só querem aplicar receitas velhas", criticou Cristina. "Eu gostei muito da intervenção da senhora presidente do Brasil, Dilma Rousseff, que contou o que foram as receitas do FMI durante 20 anos para o Brasil, para a América Latina, com desvalorizações e desastres permanentemente", disse Cristina.

Cristina Kirchner qualificou a participação de Rousseff, naquela ocasião, como brilhante, tendo provocado impacto em todos os presentes, inclusive no presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. "Estamos tendo um problema de liderança política internacional que não  entende que há um mundo novo que não quer viver da mesma maneira que vivemos", disse. "Vamos ter que respeitar os mercados, mas é preciso que fique claro que os que governam são os eleitos pelo povo", acrescentou Cristina.

Empresas

Cristina pediu aos empresários uma mudança de comportamento para que o país mantenha o crescimento. "Temos que falar seriamente sobre investimentos, salários, inflação, subsídios e também sobre a renda das empresas", disse. Cristina mencionou inúmeras vezes a necessidade de uma  "sintonia fina" no seu segundo mandato que começa no próximo dia 10 de dezembro.

Segundo ela, nessa etapa, será preciso estudar cada um dos setores com foco na competitividade da economia argentina. A presidente explicou que, quando fala de competitividade, não se refere à redução de impostos, concessão de subsídios ou salários mais baixos. Estas soluções, segundo Cristina, não são novas. A presidente também criticou as greves que prejudicam a produção.

Cristina classificou como "bobos" os que acreditam em boatos de que seu governo poderia proibir a remessa de lucros das empresas às matrizes no exterior. Porém, pediu que os lucros das empresas não sejam enviados para fora, mas sim "que sejam reinvestidos no país em tecnologia e inovação". Cristina evitou citar nomes, mas acusou empresas de receber subsídios do Estado e de não investir no país os lucros obtidos, que são remetidos ao exterior.

"Estou disposta a abordar todos e cada um dos problemas, Mas não temos que falar pelos jornais. Quando se quer resolver um problema, peguem um telefone e falem com um funcionário. Nunca vi resolver nenhum problema por jornais, pelo contrário, sempre se complicam", alertou. A presidente também deixou claro que conta com o dinamismo do mercado interno e regional para superar a crise em 2012, mas insistiu na necessidade de maiores investimentos.

Tudo o que sabemos sobre:
argentinaCristina Kirchner

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.