Cristina Kirchner pede que empresas não enviem lucros ao exterior

A presidente da Argentina disse que companhias precisam reinvestir lucros no país, para gerar mais empregos e conquistar o mercado interno e externo

Marina Guimarães, da Agência Estado,

17 de novembro de 2011 | 19h03

Em meio a desconfiança sobre a saúde da  economia argentina, que gerou uma forte fuga de capitais e saques de depósitos em dólares do sistema financeiro, a presidente Cristina Kirchner reiterou o pedido aos empresários para que não enviem lucros de suas empresas ao exterior. Usando a indústria automobilística como exemplo de "investimentos constantes", Cristina destacou a competição entre empresas do setor, ponderando que as montadoras "têm reinvestido todos seus lucros no país".

Segundo ela, a Argentina precisa ter mais práticas como das montadoras, com reinvestimento de lucros, para gerar mais empregos e conquistar o mercado interno e externo. A presidente Cristina Kirchner fez essa declaração durante visita à fábrica da PSA Peugeot Citroën, de El Palomar, na província de Buenos Aires, onde acompanhou o lançamento novo Peugeot 308. Cristina defendeu a necessidade de manter a balança comercial equilibrada e destacou que a indústria automobilística está trabalhando para isso.

O discurso da presidente foi feito um dia após o anúncio de corte de subsídios para as tarifas de gás, água e energia elétrica, como "gesto importante aos mercados", segundo definiu o próprio ministro do Planejamento, Julio De Vido.

Temor no câmbio

O governo trava uma luta contra uma demanda sustentada de dólares por parte de pequenos e grandes poupadores e de pessoas jurídicas, que temem uma maxidesvalorização do peso argentino e buscam resguardar suas economias em moeda norte-americana. Também há temores de que os depósitos em dólares possam sofrer algum tipo de intervenção oficial e, por isso, os titulares de contas correntes e poupança em dólares estão encerrando suas contas e guardando o dinheiro em caixas fortes ou mesmo em casa, além de depósitos no exterior. Para frear esse movimento, o governo adotou uma série de medidas de controle do câmbio, que impõem restrições à compra de dólares. A reação produziu efeito contrário, com ampliação do spread entre o dólar oficial e o paralelo, e paralisia do mercado.

Nesta quinta-feira, os cambistas que operam no paralelo se mantinham, pelo terceiro dia consecutivo, à margem das operações, mediante as pressões do governo, que tentam evitar a desvalorização do peso. Segundo relato de fontes de corretoras, o secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, teria pedido aos cambistas que operam com maiores volumes de divisas para manter as negociações em uma média de 4,50 pesos por dólar.

Na última segunda-feira, foi o último dia com importantes volumes de negociação no paralelo, quando o dólar foi cotado a 4,79 pesos para a venda e 4,77 pesos a compra. O paralelo chegou a ser cotado a 4,95 pesos, nos primeiros dias dos controles oficiais.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.