CSA vai operar com 70% da capacidade e passará por auditoria

A CSA --uma parceria do grupo alemão Thyssenkrupp com a Vale-- terá que limitar sua produção a 70 por cento da capacidade plena até que sejam resolvidos os problemas técnicos que resultaram no lançamento de poluentes no ar no entorno da usina, localizada na zona oeste do Estado do Rio de Janeiro.

REUTERS

29 de dezembro de 2010 | 17h24

Segundo decisão da Secretaria Estadual do Ambiente, tomada após reunião com representantes da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), na terça-feira, a usina passará por uma auditoria externa e será multada. O valor da multa será estipulado na próxima segunda-feira, de acordo com informações disponíveis no site da secretaria nesta quarta-feira.

Pela segunda vez desde que começou a operar este ano, a CSA poluiu o ar no entorno da usina ao utilizar o poço de emergência. Um defeito em um guindaste da aciaria da CSA, na manhã do último domingo, obrigou a empresa a descartar ferro gusa em um desses poços, cujas partículas foram espalhados pelo vento ao redor da usina atingindo 6 mil casas.

Por ser reincidente e não ter avisado imediatamente sobre o segundo acidente, a secretária estadual do Ambiente, Marilene Ramos, estimou que a multa será superior à primeira, aplicada em agosto, de 1,8 milhão de reais. O valor, no entanto, foi renegociado pela empresa para 500 mil reais em dinheiro e 800 mil em obras na comunidade local.

A CSA tem capacidade para produzir 5 milhões de placas de aço por ano e caminhava para a produção plena após a entrada do seu segundo alto-forno, no último dia 17. A Thyssen tem 73,13 por cento do capital da siderúrgica e a Vale os 26,87 por cento restantes. Com a restrição da secretaria, a CSA terá que esperar a auditoria para atingir o seu volume total.

Entre as consultorias candidatas à auditoria estão a coreana Hyundai, a holandesa Tata Chorus, a brasileira Usimec e a canadense Hatch, informou a Secretaria Estadual do Ambiente.

Segundo a secretaria, o presidente do Conselho de Administração da CSA, Hans Fischer, garantiu na reunião de terça-feira que a siderúrgica vai indenizar as famílias afetadas pelas emissões de grafite, em valores ainda não calculados.

Ele também teria apresentado à secretária Marilene cópia de um documento enviado por acionistas à diretoria executiva da siderúrgica no qual exigem a efetivação do Programa Grafite Zero.

Após poluir por duas vezes o ar na região da usina, a CSA também corre o risco de não obter a Licença de Operação da siderúrgica, caso não faça todos os ajustes necessários para impedir novos acidentes ambientais. O documento assegura seu funcionamento definitivo e a previsão inicial de concessão é fevereiro próximo.

(Por Denise Luna)

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