CSN compra empresas na Espanha por quase 1 bi de euros

A Companhia Siderúrgica Nacional vai comprar cinco empresas do grupo espanhol Alfonso Gallardo, um dos maiores produtores de aço da Espanha, por cerca de 1 bilhão de euros, um movimento que acontece em meio à crise econômica vivida pelo país.

REUTERS

20 de maio de 2011 | 12h02

A CSN assinou acordos para a compra da Cementos Balboa, Corrugados Azpeitia, Corrugados Lasao, Stahlwerk Thüringene e Gallardo Sections. As empresas produzem desde cimento a aços longos na Espanha e Alemanha.

O valor da operação inclui 543 milhões de euros pela compra da totalidade das ações das empresas, além de dívida de cerca de 403 milhões de euros.

"Nominalmente é um valor alto, mas a CSN está com um caixa bom... Creio que foi uma oportunidade de preço", afirmou o analista Pedro Galdi, da corretora SLW. "Com a Europa passando por essa fase muito complicada, aparecem oportunidades pontuais de comprar ativos com preço inferior", acrescentou.

A operação foi anunciada pouco depois da divulgação de números do Produto Interno Bruto da Espanha nesta semana. No primeiro trimestre, a economia espanhola cresceu ligeiros 0,3 por cento sobre os três últimos meses de 2010. Na comparação anual, a expansão foi de 0,8 por cento, ritmo mais rápido em quase dois anos.

Apesar disso, o setor de construção civil espanhol continuou a apresentar dificuldades, encolhendo 10,2 por cento diante da persistência da crise no setor imobiliário do país.

Segundo a CSN, a transação servirá para fortalecer a empresa "nos segmentos de cimento e aços longos". Atualmente, a companhia atua mais na produção de aços planos, com a fabricação de cimento iniciada em 2009.

Em dezembro, a companhia tinha anunciado que estava negociando a compra da Balboa e também da Azpeitia e da Lasao, com expectativa de concluir o negócio por 382 milhões de euros.

A conclusão da operação com o grupo Alfonso Gallardo já havia sido sinalizada pela CSN no início do mês, quando o diretor executivo da companhia, Paulo Penido, afirmou que a empresa estava finalizando as negociações e a modelagem financeira. No comunicado desta sexta-feira, a CSN não deu detalhes sobre o financiamento da transação. Procurada, a empresa se recusou a falar sobre o assunto.

Às 11h53, as ações da CSN caíam 1,75 por cento, em meio à estabilidade do índice Ibovespa. "O mercado está muito volátil e quem compra sempre é penalizado num primeiro momento", disse Galdi. "A CSN está se internacionalizando. O negócio é uma forma dela colocar um pé na Espanha e pode facilitar exportação de cimento para o Nordeste do Brasil e de aços longos", acrescentou.

A Balboa possui uma unidade com capacidade de produção anual de 1,4 milhão de toneladas de cimento e de 1,1 milhão de toneladas de clínquer. A empresa ainda tem uma mina de calcário e ardósia a 5 quilômetros da fábrica.

Enquanto isso, Azpeitia e Lasao são unidades produtoras de aços longos localizadas no norte da Espanha. A Azpeitia é especializada na produção de vergalhões e tem capacidade para 1,1 milhão de toneladas anuais, enquanto a Lasao produz telas eletro-soldadas, com uma capacidade para 200 mil toneladas anuais.

A CSN afirmou ainda que a SWT produz aços longos em Unterwellenborn, região central da Alemanha. A empresa é especializada em perfis e tem capacidade instalada para produção de 1,1 milhão de toneladas de aço.

Já a Gallardo Sections é distribuidora do grupo Alfonso Gallardo.

Além de aço e cimento, o grupo espanhol possui negócios em energia renovável, combustíveis e comunicações.

Em 2009, a CSN acabou vencida por Votorantim e Camargo Corrêa na tentativa de aquisição da cimenteira portuguesa Cimpor. O grupo brasileiro vendeu em abril sua participação na produtora de carvão Riversdale, focada na África, por cerca de 830 milhões de dólares.

(Por Alberto Alerigi Jr.)

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