CSN espera queda de vendas de 20% em 2009

A Companhia Siderúrgica Nacional espera que suas vendas de aços planos no Brasil recuem 20 por cento em 2009 e que a produção sofra redução ainda maior, de 25 por cento, afirmaram executivos nesta quinta-feira, diante da fraqueza na demanda e estoques de placas acumulados pela empresa.

ALBERTO ALERIGI JR., REUTERS

14 de maio de 2009 | 14h40

"Imaginamos fechar o ano com um volume total de vendas da ordem de 4 milhões de toneladas, mantendo foco forte, de 85 por cento disso, no mercado interno", afirmou o diretor comercial da CSN, Luis Fernando Martinez em teleconferência.

Apesar dessa previsão de queda geral nas vendas, a empresa pretende aumentar participação em alguns segmentos, como automotivo, em que a CSN trabalha com uma visão mais positiva para o ano.

"O que aconteceu foi que no primeiro trimestre a venda de carros foi muito boa e a de aço foi muito baixa por causa do volume alto de estoques na cadeia, algo que de maneira geral aconteceu em todos os setores", afirmou o executivo.

Mas nos próximos trimestres, a companhia espera melhoras na atividade de grandes consumidores de aço como os setores automotivo, eletrodomésticos de linha branca e construção civil, após um primeiro trimestre "muito ruim".

"No segundo, terceiro e quarto trimestres, esperamos uma rampa crescente de volumes de vendas para concretizar nossa projeção de 4 milhões no ano", afirmou Martinez.

A CSN tem atualmente um estoque de placas de aço entre 800 e 900 mil toneladas. Isso deve fazer com que a companhia opere até o final do ano com cerca de 75 por cento de sua capacidade total, o que deve resultar na esperada queda de 25 por cento na produção anual.

A companhia encerrou o primeiro trimestre com uma queda de 52 por cento no lucro líquido do primeiro trimestre contra igual período de 2008, para 369 milhões de reais. Para mais informações clique . O recuo foi maior que o previsto por analistas ouvidos pela Reuters, que esperavam em média lucro de 542 milhões de reais.

ALTO FORNO PARADO

Atualmente, a empresa trabalha atualmente com 70 por cento da capacidade de produção aço. O alto forno 2 da empresa passa por reforma que deve ser concluída em 10 de junho e nas próximas semanas a CSN deverá decidir se ele será reativado após a conclusão dos trabalhos.

Enquanto isso, a companhia trabalha com redução de custos de produção de 25 a 30 por cento no segundo trimestre, principalmente diante da queda nos preços das commodities, informou o diretor de operações da empresa Enéas Diniz.

Em termos de preços, a companhia está esperando queda de 7 a 8 por cento no seu preço médio de aço no segundo trimestre, redução menor que os cortes de 10 a 12 por cento anunciados por rivais, afirmaram os executivos da CSN.

"Vou tentar reforçar nosso pacote de valor para termos uma redução de preços um pouco menor do que o mercado está colocando", disse Martinez. No primeiro trimestre, a CSN reduziu preço médio em cerca de 6 por cento na comparação com o quarto trimestre, para 2.403 reais.

A CSN, que recentemente fechou acordo para encerrar disputas com a Vale em torno da mina Casa de Pedra, não descarta, mas também não confirma se poderá se decidir por fazer uma abertura de capital da unidade depois que vendeu 40 por cento da Namisa, também produtora de minério de ferro, a um grupo asiático no ano passado.

A companhia "está atenta a todas as oportunidades do mercado agora. Tudo que for oportunidade de maximizar o valor da CSN estaremos atentos", disse o recém-empossado vice-presidente financeiro, Paulo Penido.

Por enquanto, o grupo está finalizando negociação com a búlgara Kremikovtzi, que atravessa dificuldades financeiras, para contrato de seis meses para compra mensal de 25 mil a 30 mil toneladas de coque, disseram os executivos.

(Edição de Vanessa Stelzer)

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