CSN pede manutenção de estímulos do governo ao consumo

O presidente da Companhia Siderúrgica Nacional, Benjamin Steinbruch, considera precipitada uma eventual retirada ainda neste ano de incentivos governamentais a setores de consumo e vê com cautela sinais de recuperação da economia mundial, que podem estar fomentando excesso na produção de aço.

REUTERS

25 de agosto de 2009 | 17h50

"Temos que deixar passar esse ano para ver se a crise está mesmo minimizada e aí tomar as decisões," afirmou o executivo durante o 2o Encontro Nacional da Siderurgia, promovido pelo Instituto Aço Brasil, antigo Instituto Brasileiro de Siderurgia.

Siderúrgicas do país e de outras partes do mundo começaram no final do primeiro semestre a religar alto-fornos parados pela queda na demanda e a preocupação do executivo é que, após um movimento de consumo dos estoques do produto pela indústria, o movimento de recomposição desses inventários fomente outro excesso de produto à espera de comprador.

"Acho que está havendo artificialidade na divulgação dos números do setor. Tenho preocupação sobre o que vai acontecer com esse excesso de produção no Brasil e no exterior."

Apesar da preocupação do executivo com relação a 2010, a CSN, em teleconferência recente sobre seus resultados de segundo trimestre, anunciou que espera vender 50 por cento mais aço no segundo semestre em relação aos seis primeiros meses do ano, cerca de 2,4 milhões de toneladas.

Programas de estímulo ao consumo, com aumento de crédito aos consumidores e redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre veículos e linha branca, ajudaram a sustentar a produção das siderúrgicas do país ao longo da pior crise econômica das últimas décadas, fomentando recorde nas vendas de automóveis e aumento na comercialização de eletrodomésticos, segmentos abastecidos pela CSN com aços planos.

O governo decidiu prorrogar no final de junho, por uma segunda vez desde dezembro, IPI zerado sobre veículos 1.0, mas a renovação do desconto vale até 30 de setembro. A partir daí, a alíquota zerada sobe para 1,5 por cento em outubro, dobra em novembro, avança a 5 por cento em dezembro e volta aos originais 7 por cento em janeiro.

"Estou pregando que se jogue dinheiro para o consumidor, algo que está sendo feito no mundo todo. Como o Brasil teve uma performance diferenciada em relação ao resto do mundo na crise, não podemos nos isolar e achar que a crise já passou," afirmou Steinbruch a jornalistas.

"Queremos que continue havendo condições para que novos consumidores sigam comprando e o que eles precisam é de crédito na ponta e juro baixo."

Segundo o executivo, a CSN vai definir seu orçamento para 2010 entre outubro e novembro e, até lá, projetos de expansão em execução continuarão sendo tocados, como o aumento da capacidade do porto da companhia em Sepetiba, no Rio de Janeiro.

O executivo confirmou ainda que a CSN está avaliando o mercado de logística, com possibilidade de compra de navios, depois que o foco do setor de minério de ferro passou de preços de referência de longo prazo para contratos à vista. "Com a mudança de benchmark para spot, a parte de logística ficou muito importante," afirmou Steinbruch.

(Por Alberto Alerigi Jr.)

Tudo o que sabemos sobre:
SIDERURGIACSNESTIMULOS*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.