Yara Nardi/Reuters
Yara Nardi/Reuters

CSN reverte lucro e tem prejuízo de R$ 615 mi no segundo trimestre

Resultado da companhia foi afetado pelo preço do minério de ferro e vendas recuaram 17% em relação ao mesmo período do ano passado; alavancagem disparou

Fernanda Guimarães, O Estado de S. Paulo

13 de agosto de 2015 | 08h38

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) reportou prejuízo líquido de R$ 615 milhões no segundo trimestre do ano, revertendo, assim lucro líquido de R$ 19 milhões no mesmo período do ano passado e de lucro de R$ 392 milhões no trimestre imediatamente anterior. O prejuízo é cerca de oito vezes maior do que o esperado por analistas consultados pelo Broadcast, serviço de informações da Agência Estado

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado chegou em R$ 801 milhões no intervalo de abril a junho, queda de 38,5% na relação anual. Ante o primeiro trimestre do ano o recuo foi de 12%. A margem Ebitda ajustada ficou em 20% no segundo trimestre do ano, ante 30% no mesmo período do ano passado e de 22% no trimestre imediatamente anterior.

A receita líquida, por sua vez, foi a R$ 3,687 bilhões, queda de 9% em relação ao visto um ano antes e recuo de 8% na relação trimestral.

Demanda. As vendas de minério de ferro da companhia recuaram 17% no segundo trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, para 5,987 milhões de toneladas. Por outro lado, na comparação com o primeiro trimestre houve uma aumento de 10%, informou a empresa. 

Do total das vendas 99% foram feitas ao mercado externo. No período, 4,9 milhões de toneladas são de minério da mina Casa de Pedra e o restante da Namisa, na qual a CSN detém uma fatia de 60%.  

"Ao longo do segundo trimestre do ano, oferta e demanda exerceram influências opostas sobre o preço do minério de ferro. A interrupção por parte de produtores transoceânicos e chineses de alto custo, aliada a uma maior incidência de chuvas na Austrália, contribuíram para uma alta temporária de preços em meados de junho. Por outro lado, o fraco desempenho do segmento imobiliário chinês continua influenciando a demanda local por aço e minério de ferro, pressionando negativamente o preço", destacou a CSN no documento que acompanha o seu demonstrativo financeiro.  

Produção. A produção de minério de ferro no segundo trimestre do ano ficou em 6,8 milhões de toneladas, alta de 14% em relação ao trimestre imediatamente anterior. A companhia destacou que no período a mina Casa de Pedra registrou produção recorde de 6,3 milhões de toneladas. 

A CSN informou ainda que no intervalo de abril a junho as compras de minério de ferro de terceiros atingiram 1 milhão de toneladas, por conta de "oportunidades de mercado".  No segundo trimestre a receita liquida da divisão de mineração da companhia chegou em R$ 680 milhões, aumento de 3% em relação ao trimestre imediatamente anterior, alta provocado pela maior volume vendido. 

O Ebitda ajustado de mineração, por sua vez, avançou 46% em relação aos três meses anteriores, para R$ 228 milhões, o que foi possível, segundo a CSN, devido a menor custo de produção, maior volume vendido e ainda por efeito da desvalorização cambial. 

Dívida. A alavancagem da companhia (a relação entre a dívida e o patrimônio) segue sua trajetória de alta e atingiu 5,61 vezes no segundo trimestre deste ano. O indicador, que é medido pela relação da dívida líquida/Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), era de 2,71 vezes no mesmo período do ano passado e estava em 4,76 vezes nos três primeiros meses deste ano.

A dívida liquida ajustada da CSN, ainda no segundo trimestre deste ano, subiu 24% na relação anual e alcançou R$ 20,769 bilhões. Em relação ao primeiro trimestre deste ano houve uma expansão de 4%. Já o caixa da empresa ficou em R$ 11,102 bilhões, queda de 7% na relação anual e de 9% na trimestral.

A CSN reportou ainda perda financeira de R$ 772 milhões no segundo trimestre deste ano, proveniente de encargos de empréstimos e financiamentos (R$ 780 milhões), variações monetárias e cambiais líquidas, juros, multas e moras fiscais, além de outras despesas financeiras.  A perda financeira no intervalo de abril a junho foi 5% menor do que o visto um ano antes e 11% inferior à perda do primeiro trimestre deste ano.

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