CSN vê espaço para aumento preços de aço no Brasil

A Companhia Siderúrgica Nacional está vendo espaço para aumento de preços de aço no Brasil este ano entre 5 a 10 por cento, afirmou nesta terça-feira o diretor comercial da empresa após divulgação de resultado melhor que o esperado para o quarto trimestre.

REUTERS

27 de março de 2012 | 12h35

Segundo Luis Fernando Martinez, a CSN avalia que a recuperação de preços pode ocorrer diante de um cenário de maior demanda no mercado interno, dólar no patamar de 1,85 real e aprovação no Senado da uniformização do ICMS entre os Estados para encerrar a chamada "guerra dos portos", que tem incentivado a entrada de importações no país.

"A gente sente em todos os segmentos, sem exceção (uma demanda maior), desde construção civil, linha branca, setor automotivo (...) A gente imagina que teria espaço para recuperação de preços da ordem de 5 a 10 por cento", disse Martinez em teleconferência a analistas.

Ele acrescentou que atualmente a diferença de preços entre aço importado e produzido no país é de cerca de 0 a 5 por cento para o laminado a quente, 3 a 6 por cento para o laminado a frio e de cerca de 10 por cento para laminados zincados.

O comentário foi feito apesar da redução da atividade industrial do país no início do ano. Na véspera, o índice de atividade econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado um sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB) mostrou contração econômica em janeiro .

A visão contrasta também com a avaliação feita pela rival Usiminas, no início do mês, de que os preços de aço devem se manter estáveis durante pelo menos o primeiro semestre no mercado interno .

Além do cenário de alta dos preços, Martinez comentou ainda que a CSN avalia um crescimento em suas vendas de aço em 2012, considerando a compra de usina do grupo Alfonso Gallardo na Alemanha, de 4,9 milhões de toneladas para cerca de 5,8 milhões de toneladas.

No Brasil, o foco continuará forte no mercado interno, com um mínimo de 85 por cento das vendas destinadas ao Brasil, disse o executivo.

Às 12h32, as ações da CSN recuavam 0,71 por cento, enquanto o índice Ibovespa mostrava queda de 0,12 por cento.

Mais cedo, a companhia divulgou que encerrou o quarto trimestre com lucro líquido 81 por cento maior que o obtido no mesmo período de 2010, num resultado acima do esperado pela média de sete previsões de analistas obtida pela Reuters .

MINÉRIO E USIMINAS

Na frente de mineração, cuja participação na geração de caixa da CSN cresceu de 36,5 para 55 por cento em 2011, a companhia estima elevar suas vendas em 10,9 por cento, para 32,5 milhões de toneladas.

A avaliação considera um preço médio do minério de ferro de 121,7 dólares por tonelada este ano e um custo médio de 39,87 dólares por tonelada. A receita total esperada para a área é de 6,993 bilhões de reais para 2012, um incremento de 17,7 por cento sobre o ano passado, e o Ebitda é de 4,718 bilhões de reais, 25,2 por cento acima do registrado em 2011.

Para 2013, a expectativa é de vendas de 40,8 milhões e em 2014 o volume deverá crescer para 47,8 milhões de toneladas, conforme a empresa expande suas minas e capacidade portuária.

A empresa mantém previsão de aumentar a capacidade de seu porto para 45 milhões de toneladas de minério de ferro no último trimestre deste ano, que deve crescer para 60 milhões nos três últimos meses de 2013 e para 84 milhões de toneladas no final de 2015, quando a empresa estima estar produzindo quase 100 milhões de toneladas de minério.

Sobre o investimento na Usiminas, em que a CSN mantinha até o final do ano passado uma posição de 11,9 por cento das ações ordinárias e de 20,1 por cento dos papeis preferenciais da rival, o diretor executivo de relações com investidores, David Salama, comentou apenas que a companhia "vai tomar todas as medidas para preservar seu investimento".

(Reportagem de Alberto Alerigi Jr.)

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