Nilton Fukuda/Estadão - 05/09/2017
Nilton Fukuda/Estadão - 05/09/2017

Chinesa CTG vai instalar 18 eletropostos entre São Paulo e Mato Grosso do Sul

Com investimentos em 17 usinas hidrelétricas e 11 parques eólicos, empresa planeja ampliar atuação para a recarga de carros elétricos

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2022 | 05h00

Segunda maior geradora privada de energia do País, a China Three Gorges (CTG), que hoje tem investimentos em hidrelétricas e parques eólicos, vai expandir seus negócios para o segmento de eletropostos e, mais adiante, em parques solares.

A empresa vai instalar 18 pontos de recarga elétrica no trajeto de 1,3 mil quilômetros que liga São Paulo a Mato Grosso do Sul. O trecho é uma importante rota comercial e ainda não tem infraestrutura para atender veículos elétricos.

É o primeiro projeto nessa área da gigante chinesa, que chegou ao Brasil em 2013 e tem investimentos em 17 usinas hidrelétricas (das quais opera 14) e participação acionária em 11 parques eólicos. Ainda este ano anunciará sua entrada em energia solar.

Dez de suas usinas e duas Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) estão na rota dos eletropostos. Algumas já receberam carregadores para abastecer, em fase de testes, a frota da empresa. Até o fim do ano o grupo terá 25 carros elétricos.

“Somos os únicos a dar uma certificação ao consumidor de que a energia que está vindo desses eletropostos é 100% limpa”, afirma José Renato Domingues, vice-presidente corporativo da CTG Brasil.

A matriz energética brasileira tem 85% de energia renovável e 15% não renovável. Segundo ele, os contratos serão só com fornecedores de energia vinda de fontes limpas. O processo será atestado por inédita tecnologia de rastreabilidade.

Frota

O Brasil tem hoje 1.250 postos de recarga em estradas e pontos comerciais de grandes cidades, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). A frota do País é de 79,8 mil automóveis e comerciais leves elétricos, híbridos plug-in e híbridos – os últimos não são abastecidos na tomada.

Apesar do mercado pequeno e elitista – os preços dos modelos vão de R$ 160 mil a R$ 1,08 milhão –, o segmento tem atraído investidores que apostam no crescimento da demanda e querem sair na frente no desenvolvimento de novas tecnologias.

A ideia é estar pronto para usar e compartilhar sistemas de cobrança da recarga após regulamentação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Hoje a recarga é gratuita na maioria dos postos, mas, segundo Domingues, isso vai mudar com o aumento da demanda. Os postos devem iniciar operações oficialmente em 2023.

Estratégia

O projeto também tem a ver com a estratégia de crescimento da empresa, além de contribuir com o plano da Aneel de democratizar essa tecnologia. “O grosso do negócio (de instalação de postos em capitais e grandes cidades) já está sendo feito, mas o interior de São Paulo e outras regiões carecem dessa infraestrutura, por isso estamos indo para uma área ainda não explorada, onde outras empresas não olharam.”

Entre as cidades do interior de São Paulo que terão pontos de recarga no trajeto até Três Lagoas (MS) estão Boituva, Cândido Mota e Tupi Paulista.

A CTG atua em 47 países, e a filial brasileira é a mais importante para o grupo fora da China. “Ao entrar nesse ramo e desenvolver novas tecnologias estamos abrindo uma fronteira nova dentro do grupo”, informa Domingues.

Neste ano, o grupo deve investir entre R$ 25 milhões e R$ 40 milhões em pesquisa e desenvolvimento, dos quais R$ 8,2 milhões no projeto de mobilidade elétrica.

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