Aline Bronzati/ Estadão - 8/5/2020
Aline Bronzati/ Estadão - 8/5/2020

Custo do combustível ameaça oferta de frete gratuito pelo e-commerce

Maioria das redes tem restringido frete sem custos à medida que operadores logísticos começam a repassar despesas aos clientes

Juliana Estigarríbia e Talita Nascimento, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2022 | 05h00

A escalada de preços dos combustíveis mudou a relação entre as gigantes do e-commerce e suas parceiras de logística. Os contratos estão mais flexíveis e, diante de reajustes inevitáveis, estratégias como frete gratuito e entregas rápidas – em 24 horas ou até no mesmo dia – devem perder espaço.

Segundo o CEO do grupo de logística Move3, Guilherme Juliani, o cenário está mudando rapidamente, com pressão de custos e entrada de competidores asiáticos, como AliExpress e Shopee no País.

Nesse sentido, diz o executivo, a logística tem papel fundamental. “Vemos algumas empresas de transporte que entraram em guerra de preços para atender o e-commerce entrando em sérias dificuldades financeiras”, frisa Juliani.

A diretora executiva da Associação Brasileira de Operadores Logísticos (Abol), Marcella Cunha, afirma que, em um cenário de imprevisibilidade, as estratégias estão mudando. “Entrega rápida e frete gratuito devem diminuir, porque estão cada vez mais caros.”

Segundo ela, definir o preço do frete está mais difícil. “Hoje, 40% dos custos de um operador logístico são dedicados ao combustível. Dependendo da distância, chega a 60%”, relata. “O operador logístico não consegue absorver esse custo e precisa repassar para os clientes.”

Fundador da consultoria Varese Retail e especialista em varejo, Alberto Serrentino afirma que o varejo enfrenta uma série de desafios no momento. “Não é só o aumento dos combustíveis. Estamos passando por um ajuste importante e saudável que vai amadurecer o mercado, levando a um maior rigor nas políticas comerciais”, diz.

Com isso, as entregas gratuitas têm ficado mais escassas, com o consumidor tendo de comprar mais para ter acesso ao benefício. No Mercado Livre, as compras de supermercado ganhavam frete gratuito a partir de R$ 79. Hoje, esse valor saltou para R$ 199. Em nota, a companhia afirmou: “Frente ao contexto macroeconômico no Brasil, realizamos algumas atualizações de políticas e custos de venda para produtos de consumo massivo, incluindo supermercados”.

No Magazine Luiza, o frete gratuito é oferecido apenas em compras feitas pelo aplicativo – e não vale para todos os casos. A lógica é a de que os clientes que têm o aplicativo fazem compras no app com mais frequência, fazendo valer a concessão do benefício.

Na Amazon, o frete gratuito está disponível para quem é assinante do serviço Prime. No entanto, a assinatura teve reajuste de 50%, passando de R$ 9,90 para R$ 14,90 no plano mensal. Já a anuidade foi de R$ 89 para R$ 119, alta de 33,7%.

Em nota, a Americanas S.A. afirmou que “desenvolve soluções eficientes para consumidores e parceiros”. Destacou ainda oferecer diversas modalidades de entrega, como a opção de entrega em até três horas ou a retirada em loja em uma hora com frete gratuito.

A Via (dona da Casas Bahia e do Ponto) não se manifestou.

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