Custo da pecuária subiu 9,04% no ano até outubro; preço caiu 2,13%

Brasília, 23 - Os custos totais da pecuária de corte no acumulado de janeiro a outubro subiram 9,04% em nove estados pesquisados pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP (Cepea). O levantamento foi feito em Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia e São Paulo, estados que representam 78% do rebanho nacional, estimado em 190 milhões de cabeças. Nesse período o preço do boi gordo caiu 2,13% nesses estados, o que sinaliza, segundo o presidente do Fórum Nacional da Pecuária de Corte, Antenor Nogueira, desestímulo à produção. "Os custos totais da pecuária de corte devem subir mais de 10% este ano, por isso seria necessário que o preço do boi gordo recuperasse pelo menos essa perda para manter as margens do pecuarista", argumentou Nogueira. De janeiro a outubro, por exemplo, os preços da suplementação animal subiram 12,26%. Esse item representa 15% do custo total da pecuária de corte. Antenor Nogueira disse que o Brasil não deve apoiar a entrada da Rússia na Organização Mundial do Comércio (OMC), caso o governo de Moscou não revise a cota oferecida ao Brasil para compra de carnes. Na opinião de Nogueira, o momento atual de negociação entre os dois países favorece ao Brasil, que pode pleitear o aumento de sua cota de exportação. No caso da carne bovina, o Brasil disputa com outros fornecedores uma cota de 68 mil toneladas. As vendas acima da cota tarifária estão sujeitas à tributação de 60%, o que significa uma redução na receita de 600 euros por tonelada. Nogueira afirmou que, no mês passado, o Brasil exportou para Rússia 17,6 mil toneladas de carne bovina "in natura". Principal destino das exportações brasileiras de carne, a Rússia comprou, no período de janeiro a outubro deste ano, 127,2 mil toneladas de carne bovina "in natura", com receita de US$ 196 milhões. Em segundo lugar no ranking das exportações brasileiras de carne, aparece a Holanda, com compras de 42 mil toneladas de carne bovina "in natura", gerando receitas cambiais de US$ 187 milhões nos dez primeiros meses deste ano. O terceiro maior comprador de carne "in natura" do Brasil foi o Chile, com movimentação de 88,4 mil toneladas e receita de US$ 170 milhões no período de janeiro a outubro deste ano. O dirigente da CNA também citou o comércio de carnes para a China, negociação que só é possível agora, depois que os governos dos dois países assinaram protocolo sanitário que permite o comércio de carne. De acordo com Nogueira, os frigoríficos exportadores devem enviar nos próximos meses contêineres com carne para a China, para fazer os primeiros contatos com os importadores locais. Para este ano, a CNA prevê exportação de carne de 1,6 milhão de toneladas, vendas que devem render US$ 2,2 bilhões. No ano passado, foram embarcadas 1,3 milhão de toneladas de carne bovina, que geraram receita de US$ 1,5 bilhão. Segundo Nogueira, a previsão para este ano confirmam o Brasil, pelo segundo ano consecutivo, como o maior exportador mundial de carnes. Entre janeiro e outubro, os embarques somaram 1,5 milhão de toneladas e renderam US$ 2,021 bilhões. Os números consideram o conceito de equivalência carcaça, isto é, o peso das cargas com osso.

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