Custo e produção prejudicam a Ford na América do Sul

O lucro antes de impostos da Ford na América do Sul no segundo trimestre - de US$ 5 milhões, o que significa uma estabilidade em relação ao segundo trimestre de 2011 - foi limitado pelo aumento de custos de insumos e pela redução do volume de produção de veículos, disse o vice-presidente de Assuntos Corporativos da montadora para a região, Rogelio Golfarb.

WLADIMIR D'ANDRADE, Agencia Estado

25 de julho de 2012 | 12h31

A produção da Ford para a América do Sul foi de 100 mil veículos no segundo trimestre, 30 mil a menos que o registrado no mesmo período de 2011. Por questões legais, a empresa não especifica no balanço dados relativos apenas ao Brasil, mas analistas estimam que o País é responsável por cerca de 70% das operações da montadora na América do Sul.

O ganho da Ford antes de impostos havia sido de US$ 267 milhões no período de abril a junho de 2011. A receita da montadora na região também caiu, de US$ 2,9 bilhões para US$ 2,3 bilhões, na comparação com o segundo trimestre de 2011. Esses resultados levaram a um recuo de 8,9 pontos porcentuais na margem operacional, que passou de 9,1% no segundo trimestre do ano passado para 0,2% no mesmo período de 2012.

De acordo com Goldfarb, o resultado da montadora na América do Sul também foi influenciado pelos investimentos da montadora, que até 2015 vão somar R$ 4,5 bilhões. "Estamos mantendo esse ritmo de investimento, apesar da queda de volume e do aumento de custo", disse o vice-presidente da empresa, lembrando que no balanço relativo ao primeiro trimestre de 2012 os dados já apontavam uma significativa redução no lucro antes de impostos sobre o mesmo período do ano anterior por razões similares - houve, nesta base de comparação, redução de US$ 156 milhões para US$ 54 milhões.

O volume de produção, de acordo com Goldfarb, também está relacionado a investimentos em produtos. A Ford terá, ao final de 2012, três novas plataformas de produção: Ranger, já em funcionamento, EcoSport e Fusion. "Há uma queda natural da produção na transição de modelos antigos para os novos, mas a produção volta a crescer depois da implantação das novas linhas", explica.

No balanço, a montadora prevê uma alta da produção de 20% no terceiro trimestre sobre o segundo, expectativa que, no entanto, representaria quase estabilidade (avanço de 1%) sobre o terceiro trimestre de 2011. Goldfarb também afirma que confia que as operações na América do Sul darão lucro no resultado final do ano, mas em nível abaixo do registrado em 2011, por conta de aumento da competição de mercado, que obriga a montadora adotar descontos e reduzir a margem de lucro, câmbio e políticas dos governos locais que atingem o setor - como é o caso, no Brasil, de intervenções na taxa de câmbio.

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