CVM acusa dez executivos da Aracruz

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) acusou nove administradores da Aracruz, além do ex-diretor financeiro e de relações com o mercado, Isac Zagury, pela operação com derivativos em 2008 que levou a empresa a uma perda financeira de US$ 2,1 bilhões. Os acusados tinham até ontem para apresentar a defesa e agora podem decidir ir a julgamento, o que não tem data para acontecer, ou apresentar um termo de compromisso, com uma quantia a ser paga à CVM, para encerrar o caso.

SABRINA VALLE, Agencia Estado

22 de junho de 2010 | 18h53

"A regra é que se apresente o termo de compromisso até 30 dias depois da apresentação da defesa, mas o colegiado também pode analisar propostas de termos de compromisso que venham fora desse prazo", afirmou a presidente da CVM, Maria Helena Santana.

Segundo ela, os acusados poderão apresentar termos de compromissos individualmente. Na prática, um possível acordo extingue o processo sem presunção de culpa. Todos os acusados, no entanto, estarão sujeitos ao mesmo julgamento, cuja data não será marcada antes do fim do prazo de 30 dias.

O processo investiga a responsabilidade dos envolvidos sobre a operação que levou às perdas. Além de Zagury, são acusados o ex-presidente da companhia Carlos Augusto Lira Aguiar e os membros do Conselho de Administração Luiz Aranha Corrêa do Lago e Raul Calfat. Também integram a lista, publicada no site da CVM, Luciano Soares, João Cesar de Queiroz Tourinho e Valdir Roque, os três do Comitê de Finanças; além de Isaac Selim Sutton, Mauro Agonilha e Sérgio Duarte Pinheiro, que integravam o Comitê de Auditoria da época.

Em 2008, os acionistas da Aracruz decidiram processar judicialmente Zagury pelos prejuízos. Mas, no entendimento da CVM, os membros dos comitês de auditoria e finanças da empresa também deveriam ser investigados por suposta responsabilidade.

A Aracruz, que após união com a Votorantim resultou na Fibria, não comentou o caso. Em seu último balanço financeiro, a Fibria anunciou a redução dos passivos decorrentes do episódio com derivativos a menos de 20% do valor original. O resultado foi alcançado com uma série de operações como a venda da unidade de Guaiba (RS) para a chilena CMPC, por US$ 1,43 bilhão, a emissão de US$ 1 bilhão em bônus e uma captação de US$ 1,175 bilhão, com prazo de sete anos. A empresa também refinanciou parte da dívida que vence entre 2010 e 2011.

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