C&A/Divulgação
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CVM mostra o 'IPO Secreto' da C&A

Prospecto para o lançamento de ações mantido em segredo pela varejista foi aberto por autoridade reguladora; papéis serão listados no Novo Mercado e estreia deve ocorrer em outubro

Fernanda Guimarães e Flavia Alemi, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2019 | 15h46

Quase duas semanas depois de ter protocolado seu pedido de registro de oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), o prospecto preliminar da abertura de capital da varejista C&A foi, agora, disponibilizado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A oferta, antecipada pela Coluna do Broadcast, será primária  (cujo dinheiro entra no caixa da empresa) e secundária (os recursos vão para os donos), de acordo com o documento.

Sempre discreta, a C&A sempre evitou expor números e sua operação no País. A empresa foi fundada pela família Brenninkmeijer, dos irmãos Clemens e August cujas iniciais deram origem à marca na Holanda, em 1861. A C&A está no Brasil desde 1976, quando abriu sua primeira loja no shopping paulistano Ibirapuera. Atualmente, a companhia tem 282 unidades físicas no país e se apresenta como a segunda maior em termos de receita líquida dentre as varejistas de moda no país listadas na B3.

A listagem ocorrerá no Novo Mercado, segmento de maior exigência de governança corporativa da B3. Nesse documento, ainda não é informado o número de ações que serão ofertadas, o cronograma da oferta ou o valor que a empresa pretende arrecadar.

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Na oferta secundária são acionistas vendedores a Cofra Investments e a Incas S.A, que têm sede em Luxemburgo. Da oferta primária, com os recursos indo ao caixa da companhia, a companhia pretende utilizar o montante para pré-pagamento de empréstimos entre empresas do mesmo grupo e para a expansão orgânica.

A alternativa de uma companhia optar por um "IPO Secreto", no qual o documento protocolado não fica disponível ao público de imediato, foi aberta neste ano pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e seguiu uma alternativa já existente nos Estados Unidos, que permite essa confidencialidade desde 2011. A CVM só abre os dados ao mercado cerca de 15 dias após ela ter sido protocolada. 

A estreia da C&A na Bolsa deve ocorrer em outubro. A seu lado já têm pedido protocolado junto à CVM a Iguá Saneamento, Vivara e o banco BMG. São coordenadores da oferta o Morgan Stanley, Bradesco BBI, BTG Pactual, Santander, Citi e XP Investimentos.

C&A em números

Segundo o documento protocolado, a varejista teve lucro líquido de R$ 777,2 milhões no primeiro semestre, revertendo o prejuízo de R$ 30,5 milhões do mesmo período do ano passado. A geração de caixa aumentou 532,4%, passando de R$ 149,2 milhões no primeiro semestre de 2018 para R$ 943,6 milhões. Já a receita líquida alcançou R$ 2,3 bilhões no período, subindo 2,94% em relação ao primeiro semestre de 2018. Já a dívida líquida no primeiro semestre chegou a R$ 2,4 bilhões.

As vendas no critério mesmas lojas, ou seja, em unidades abertas há mais de 12 meses, avançaram 2,8% de janeiro a junho. O número de lojas total chegou a 282, sendo que, no ano passado, a companhia encerrou com 279 unidades.

Ano a ano

De acordo com as informações da C&A, o lucro líquido total de 2018 foi de R$ 173,6 milhões, aumento de 79% em relação a 2017. Naquele ano, por sua vez, a C&A reverteu prejuízo de R$ 141,3 milhões registrado em 2016.

Na receita líquida, os números de 2016 foram de R$ 4,8 bilhões, R$ 5 bilhões em 2017 e R$ 5,2 bilhões em 2018.

Ao longo dos últimos três anos, a C&A conseguiu aumentar sua margem bruta, encerrando 2018 com o indicador em 49,3%. Em 2017, a margem foi de 48,1% e, em 2016, de 41,9%.

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