Dados dos EUA agradam, mas Bovespa fecha em queda de 0,23%

Corte menor de vagas garante força ao dólar e commodities viram alvo de vendas, pesando sobre a Bolsa

Claudia Violante, da Agência Estado,

05 de junho de 2009 | 17h38

O mercado acionário viveu dois momentos nesta sexta-feira, 5, relacionados aos dados do relatório do mercado de trabalho norte-americano do mês de maio. Primeiro, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) reagiu positivamente aos números, que surpreenderam ao mostrar um corte de vagas menor do que as previsões. Mas esses dados, por sinalizarem que a economia norte-americana está dando indícios de melhora, garantiram força ao dólar, que se tornou um dos ativos mais procurados nesta sessão. A moeda norte-americana fechou em alta de 0,77%, cotada a R$ 1,957. Na contramão, as commodities passaram a ser alvo de ordens de vendas, e isso pesou sobre a Bovespa.

 

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O principal índice do mercado acionário doméstico terminou a sexta-feira em baixa de 0,23%, aos 53.341,01 pontos. Na mínima do dia, registrou 53.050 pontos (-0,77%) e, na máxima, os 54.627 pontos (+2,17%). Na semana e no mês, a Bolsa acumula alta de 0,27%. No ano, o Ibovespa sobe 42,05%. O giro financeiro terminando o dia em R$ 4,86 bilhões. Os dados são preliminares.

 

O Departamento do Trabalho anunciou o corte de 345 mil vagas no mês passado, número bem inferior às estimativas dos analistas, de -525 mil postos de trabalho. O corte é o menor desde setembro de 2008. O governo também revisou em baixa os dados dos dois meses anteriores: em abril, o corte foi revisado de 539 mil para perda de 504 mil e, em março, de -699 mil para 652 mil.

 

A reação imediata ao anúncio foi de alta nas ações. Mas, na segunda leitura, as ações passaram a cair, por uma boa razão. Os dados sinalizaram que o pior parece mesmo ter ficado para trás nos Estados Unidos e isso chamou investidores de volta ao dólar, com consequente venda de commodities, onde o ganho ontem havia sido significativo.

 

Na Bovespa, o sinal passou de alta para queda, principalmente por causa do comportamento da Petrobras, que fechou em baixa de 0,33% na ação ON e de 0,32% na PNA. Na Nymex, o contrato do petróleo para julho recuou 0,54%, para US$ 68,44, depois de ter superado os US$ 69 no início do dia.

 

Vale, por outro lado, subiu - assim como siderúrgicas - estimulada pelo noticiário internacional que trouxe a joint venture entre a Rio Tinto e BHP para a produção de minério de ferro. A mineradora australiana disse que a aliança vai resultar em sinergias de mais de US$ 10 bilhões. Vale ON, +1,06%, Vale PNA, +0,25%. Gerdau PN, +0,67%, Metalúrgica Gerdau PN, +0,64%, CSN ON, +1,57%. Usiminas PNA terminou em +1,64%.

 

A Nippon Steel Corporation firmou contrato com o Morgan Stanley que prevê que a instituição financeira comprará até 2,52 milhões de ações ordinárias da Usiminas, representando aproximadamente 1% de seu capital ordinário e 0,50% do capital social da companhia, "com a finalidade exclusiva de transferir tais ações" à Nippon.

 

Nos EUA, o Dow Jones avançou 0,15%, aos 8.763,13 pontos, o S&P caiu 0,25%, aos 940,09 pontos, e o Nasdaq teve baixa de 0,03%, a 1.849,42 pontos.

Bradesco PN recuou 0,77%. A instituição confirmou nesta sexta a compra do Banco ibi, ligado à rede varejista C&A. O valor da operação é de cerca de R$ 1,4 bilhão, pagos em ações do Bradesco.

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