Decisão do BC terá impacto no crédito, diz Febraban

Tamanho do impacto vai depender da concorrência, cenário externo e inadimplência, entre outros

Ricardo Leopoldo, Célia Froufe, Renata Veríssimo, Altamiro Silva Júnior e Débora Thomé, de O Estado de S. Paulo e Agência Estado,

25 de fevereiro de 2010 | 20h29

O aperto monetário anunciado pelo Banco Central, que mexeu nas taxas do compulsório, deve ter impacto na oferta e no custo de crédito, avalia Rubens Sardenberg, economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). "É inevitável que tenha algum tipo de impacto em um primeiro momento", disse à Agência Estado.

 

Para Sardenberg, a dimensão desse impacto vai depender de fatores como concorrência entre os bancos, aquecimento da economia, cenário externo e taxas de inadimplência. "Os bancos estão capitalizados e a concorrência é grande", diz o economista, destacando que os bancos públicos também estão com forte apetite no segmento de crédito, o que acirra ainda mais a disputa por clientes.

 

Se a concorrência nos empréstimos continuar acirrada, diz o economista, o aumento do custo trazido pelas taxas mais altas do compulsório pode não ser repassado para o tomador final. Sardenberg diz que não houve surpresa com a decisão do BC, pois o mercado já esperava a medida.

 

Na avaliação do presidente do conselho de administração do Bradesco, Lázaro Brandão, a medida do governo está correta e "dentro das perspectivas normais". Segundo ele, "o governo tem sempre ajustes". "Liberou quando achou que liquidez era importante, mas agora acha que não tem a importância que tinha no passado" O banqueiro participou de evento na Associação Comercial do Rio de Janeiro em comemoração aos 200 anos da associação.

 

Indagado sobre a possibilidade de o aumento no compulsório significar redução na oferta de crédito do banco, ele afirmou que haverá, sim, uma queda, mas "nada substancial". Já os juros, em sua opinião, não devem ser alterados. De qualquer forma, essa decisão do Banco Central não vai interferir na rentabilidade do Bradesco.

 

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, considerou "muito adequada" a decisão do BC em relação aos compulsórios. Segundo ele, a medida da autoridade monetária faz com que o sistema retorne ao status do período pré-crise. "Foi uma medida importante, pois agora (o BC) considera que o crédito está normalizado."

 

Mantega evitou fazer estimativas sobre possíveis mudanças dos departamentos econômicos dos bancos em relação ao próximo momento de alta da Selic. O ministro descartou também a possibilidade de a alteração nos compulsórios ter como consequência uma freada na economia. "Não acredito nisso."

 

Para o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, a normalização de depósitos compulsórios, em conjunto com um provável aumento de 2,5 pontos porcentuais da Selic, indica que o BC optou por uma estratégia de "aperto monetário moderado" para conter excessos do nível de atividade.

 

De acordo com Vale, a decisão sugere que a instituição oficial vai balancear o uso desse instrumento com o aumento da Selic, o que fortalece a avaliação de que não será necessária uma elevação mais drástica da taxa. "É bem provável que o BC vai aumentar os juros de forma um pouco mais branda, em cinco elevações de 0,5 ponto porcentual cada."

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