Decisão do Copom pode levar preço do dólar abaixo de R$ 1,75, diz Ricardo Amorim

Estrategista do banco WestLB projeta cinco cortes da Selic no ano que vem; taxa atingiria 10%

Célia Froufe e Luciana Xavier,

18 de outubro de 2007 | 17h49

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa Selic em 11,25% ao ano ocorreu antes do que deveria, demonstrou que o Banco Central está com preocupações exageradas em relação à trajetória de inflação e pode levar o preço do dólar para baixo do nível de R$ 1,75, avalia o diretor de estratégia para mercados emergentes do banco WestLB, Ricardo Amorim. "Havia ainda espaço para cortes", avaliou durante entrevista concedida ao AE Broadcast ao Vivo. Para Amorim, a inflação ficará abaixo da meta do governo tanto neste ano quanto em 2008, de 4,5%. "O juro real ainda está alto e pode chegar ao patamar de países desenvolvidos", analisou. Ouça a entrevista com Ricardo Amorim   Segundo Amorim, apesar de a instituição avaliar que o Banco Central "exagerou", a equipe econômica do WestLB não foi surpreendida porque contava com a paralisação do ciclo de afrouxamento monetário iniciado em setembro de 2005. "Não ficamos surpresos diante da sinalização dada pelo Banco Central", explicou.  Amorim salientou que, apesar de em termos históricos domésticos a taxa de juros hoje ser baixa, há condições de o País se aproximar dos porcentuais verificados internacionalmente. "Há condições de convergência para as taxas de juros internacionais", defendeu. Segundo o estrategista, a interrupção do ciclo de cortes da Selic deve animar investidores internacionais e o fluxo de recursos deverá continuar pressionando o dólar para baixo. O analista projeta que a cotação pode cair abaixo de R$ 1,75 no final do ano. Ele mencionou que os juros reais de países a caminho de obter o grau de investimento giram de 2% a 4% ao ano e que o Brasil ainda está distante deste intervalo. "Por isso, acredito que haja espaço de queda em 2008 e 2009. Este ano, não devem ocorrer mais cortes", previu. A instituição espera cinco cortes da Selic em 2008 até que a taxa atinja 10%.  Amorim avalia que, apesar da unanimidade do resultado do encontro desta quarta-feira (17) do Copom, não houve sinalização de que haverá paralisação no processo de afrouxamento monetário, mas apenas uma pausa no processo de queda dos juros. A retomada dessa redução, no entanto, dependerá dos próximos números de inflação e também do desempenho do real em relação a outras moedas, na avaliação do diretor.

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