Hélvio Romero|Estadão
Hélvio Romero|Estadão

Decolar troca comando e mira celular

Novo diretor da operação brasileira, que contribui com 50% da receita de US$ 4 bilhões do grupo, quer customizar oferta para consumidor

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

06 Julho 2016 | 05h00

Um dos líderes em e-commerce de turismo no mercado brasileiro, a Decolar.com anunciou nesta terça-feira, 5, o novo comando de sua operação no País, quatro meses depois da saída do executivo Alipio Camanzano, que esteve à frente da empresa por oito anos. Com passagens pelas áreas de internet de empresas como Renner, Saraiva e Philips, André Alves, 39 anos, chega à Decolar com o objetivo de reforçar o uso de tecnologia da plataforma, para garantir ofertas mais customizadas à clientela, especialmente para quem compra pelo smartphone.

Fundada na Argentina há 17 anos, a Decolar hoje está presente em 20 países e fatura cerca de US$ 4 bilhões ao ano. Apesar da crise, a fatia do Brasil ainda representa metade da receita da companhia (a participação já foi de 55%). O fundo americano Tiger Global Management é o principal acionista da empresa. A gigante global do turismo Expedia comprou cerca de 20% do negócio, por US$ 270 milhões, em 2015. Os fundos Sequoia Capital e General Atlantic estão entre os minoritários, ao lado dos fundadores da companhia.

Alves chega à operação com a intenção de evitar que a empresa precise dar “tiros de canhão” para gerar vendas. Durante vários anos, a Decolar foi uma das principais anunciantes do mercado brasileiro, desenvolvendo campanhas de varejo repletas de estrelas da TV Globo. Embora a empresa vá continuar na mídia, o novo executivo afirmou que é possível gerar receita gastando menos. Um desses vetores é o aplicativo para celular, que tem 8 milhões de usuários no Brasil.

O time de desenvolvimento para dispositivos móveis da Decolar tem hoje 90 pessoas – toda a equipe da empresa no País soma 800 funcionários. “À medida que sei que o cliente está buscando um voo para determinado lugar posso usar o sistema de ‘push’ (mensagem enviadas por celular via aplicativo) para informar sobre uma oferta específica para aquele destino. Minha chance de venda é muito maior, com um investimento pequeno”, explicou Alves, ontem, em entrevista ao Estado.

Dificuldades. Com a crise, que fez o Produto Interno Bruto (PIB) encolher 4% em 2015, o executivo disse que o consumidor está mais sensível a preço e prazo. Com a alta do desemprego e do endividamento, dados do Ministério do Turismo mostram que o brasileiro está gastando menos ao viajar ao exterior. De janeiro a maio, as despesas de brasileiros em viagens para fora do Brasil somaram US$ 5,16 bilhões, queda de 37,8% em relação a igual período do ano passado, quando os gastos somaram US$ 8,29 bilhões.

Neste momento da economia, Alves também frisou que todos os preços praticados pela Decolar precisam levar em conta não só a rentabilidade das empresa, mas também a de seus parceiros, como hotéis e companhias aéreas. Devido à queda da demanda, diversas empresas já reduziram voos do Brasil, especialmente os originados fora do eixo Rio-São Paulo. “A estratégia atual das companhias é reduzir a oferta para aumentar os preços das passagens e ganhar rentabilidade.”

Concorrência. No e-commerce de turismo, a concorrência está aumentando. A CVC, que comprou a marca Submarino Viagens no ano passado, contratou Alipio Camanzano, que capitaneou todo o crescimento da Decolar no mercado nacional, para reformular a estratégia online da empresa, que sempre foi considerada tímida.

O executivo disse que a ordem é fazer com que Submarino Viagens e CVC.com.br sejam operações mais agressivas. Em entrevista ao Estado em junho, o executivo disse que tiraria a Submarino do “freezer”. Uma dos caminhos é justamente investir em promoções – justamente a estratégia que deu projeção à Decolar.

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