Déficit comercial de máquinas recua, mas setor segue cauteloso

O déficit comercial da indústria de máquinas e equipamentos do Brasil no acumulado do ano até agosto apresentou o primeiro recuo para o período desde 2005, apoiado pelo câmbio, mas o setor mantém posição de cautela diante da participação ainda elevada das importações no mercado interno.

Reuters

26 de setembro de 2012 | 16h26

Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o déficit da balança do setor caiu 3,1 por cento no acumulado do ano até agosto ante o mesmo período de 2011, para 11,77 bilhões de dólares.

"(Isso) não mostra uma inflexão. A balança melhorou por causa do câmbio, o setor está parado", disse o presidente da Abimaq, Luiz Aubert Neto, referindo-se ao nível de utilização de capacidade produtiva instalada.

O indicador recuou em agosto para 75,9 por cento, queda de 7 pontos percentuais sobre o nível apurado um ano antes e praticamente estável ante os 76 por cento de julho. Com isso, o nível de emprego fechou o mês passado com queda de 3,9 por cento na comparação anual e de 0,7 por cento sobre julho. Segundo a Abimaq, o setor perdeu 10.400 empregos desde outubro de 2011.

Diante do quadro atual, Aubert comentou que prefere esperar até outubro para fazer projeções específicas sobre 2013, enquanto o efeito das últimas medidas do governo para incentivar a indústria nacional ainda não chegou a ser totalmente sentido pelo setor.

Este mês, o governo anunciou medidas de desoneração de folha de pagamento para mais 25 setores, que incluíram máquinas e equipamentos, depois de ter reduzido no fim de agosto os juros da linha de financiamento PSI-Finame, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para aquisição de bens de capital. A taxa caiu a 2,5 por cento ao ano.

"Com todas as medidas, principalmente com o PSI, a tendência (para o início de 2013) é positiva. Este ano já está mesmo perdido", disse Aubert. Ele acrescentou que o fim da "guerra dos portos", em que alguns Estados concediam incentivos para importações, deve também apoiar o setor a partir do próximo ano.

Segundo a Abimaq, o faturamento da indústria de máquinas e equipamentos em agosto subiu 2,1 por cento sobre julho, para 6,86 bilhões de reais. Na comparação com o mesmo período de 2011, houve queda de 6,6 por cento. Já no acumulado do ano até o mês passado, as vendas ficaram praticamente estáveis, com oscilação positiva de 0,3 por cento, para 53,68 bilhões de reais.

O setor encerrou agosto com alta de 18,3 por cento nas exportações sobre julho, para 1,22 bilhão de dólares, enquanto as importações somaram 2,45 bilhões de dólares, crescimento de 5 por cento na comparação mensal.

(Por Alberto Alerigi Jr.)

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