Déficit da conta corrente é o maior para o mês de fevereiro desde 1947

Investimento Estrangeiro Direto de US$ 2,8 bilhões foi o mais elevado para o mês desde 1999

Fernando Nakagawa e Fabio Graner, da Agência Estado,

22 de março de 2010 | 12h32

O resultado da conta corrente, que registrou déficit de US$ 3,251 bilhões em fevereiro, foi o mais alto da série do BC, iniciada em 1947, para meses de fevereiro, informou o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes. Ainda de acordo com Altamir, o Investimento Estrangeiro Direto (IED) de US$ 2,849 bilhões em fevereiro foi o mais elevado para o mês desde 1999.

 

O fluxo de investimento estrangeiro direto para o Brasil em março até hoje, dia 22, é de US$ 1,1 bilhão. Para o fechamento do mês, Altamir prevê saldo de US$ 1,5 bilhão. Esse volume representa menos da metade os US$ 4 bilhões de déficit que ele projeta para a conta corrente no mês de março. 

 

Apesar do grande saldo negativo do mês, Altamir disse não ter nenhuma preocupação com a perspectiva de financiamento desse déficit, apesar de o BC prever que o IED) não será suficiente para cobrir o déficit em conta corrente previsto para 2010. O BC prevê para este ano um déficit em conta corrente recorde de US$ 49 bilhões e IED de US$ 45 bilhões. Segundo Altamir, a diferença será coberta com os empréstimos de empresas no exterior e também investimento de estrangeiros no Brasil em ações e renda fixa.

 

"A perspectiva é boa para a economia brasileira e isso atrai mais investimentos em ações e renda fixa,", disse Altamir, lembrando que a busca de empréstimo no exterior por empresas brasileiras é um sinal positivo de que o mercado externo está aberto para companhias nacionais.

 

Altamir informou que se confirmadas as projeções divulgadas hoje para o ano, será a primeira vez desde 2001 que o IED não será suficiente para cobrir o déficit em conta corrente. Por outro lado, ele lembrou que hoje o Brasil está em uma situação bem menos vulnerável que no passado por conta das reservas internacionais.

 

China

 

Altamir informou que, pela primeira vez, a China apareceu na estatística de IED no Brasil. Segundo os dados do BC, os investimentos chineses no Brasil somaram US$ 354 milhões e foram direcionados para a indústria extrativa mineral, mais especificamente para a exploração de minerais metálicos voltados para a exportação.

 

O investimento da China, segundo Altamir, e outros voltados para o setor exportador trazem uma boa perspectiva para o desempenho futuro das vendas externas do País, o que vai ajudar no longo prazo a conter o déficit em conta corrente.

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