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Déficit de gastos com viagens internacionais é recorde no trimestre

Segundo dados do BC, conta de viagens internacionais registrou déficit de US$ 2,927 bilhões no período, o maior da série, iniciada em 1947

Renato Andrade e Fabio Graner, da Agência Estado,

26 de abril de 2011 | 10h48

A conta de viagens internacionais registrou em março déficit de US$ 1,020 bilhão de acordo com dados divulgados nesta terça-feira, 26, pelo Banco Central. O valor é quase o dobro dos US$ 545 milhões registrados em março de 2010. No primeiro trimestre, a conta de viagens registra déficit de US$ 2,927 bilhões ante US$ 1,690 bilhão no mesmo período do ano passado.

Segundo o chefe do departamento econômico do Banco Central, Túlio Maciel, o déficit de US$ 2,927 bilhões na conta de viagens internacionais no primeiro trimestre deste ano é recorde para o período na série histórica do BC, que tem início em 1947. Ele informou que o saldo negativo de US$ 1,020 bilhão na conta de viagens apenas em março foi o mais alto para o mês da série.

O BC informou também que as remessas de lucros e dividendos somaram no mês passado US$ 3,716 bilhões. O montante é 48,1% superior ao verificado em março do ano passado. No primeiro trimestre, as remessas somam US$ 8,398 bilhões, saldo 83,1% maior do que o registrado no mesmo período de 2010.

Já o gasto com juros da dívida externa ficou em US$ 686 milhões em março, pouco acima dos US$ 641 milhões do mesmo mês de 2010. No acumulado do ano, contudo, o gasto com juros somou US$ 2,644 bilhões e está 17% abaixo do verificado em igual período do ano passado. 

Conta corrente

O Brasil registrou um déficit de US$ 5,676 bilhões em suas transações correntes em março, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central. No primeiro trimestre, o déficit acumulado atingiu US$ 14,631 bilhões, o equivalente a 2,61% do Produto Interno Bruto (PIB). Nos últimos 12 meses encerrados em março, a conta corrente brasileira tem um saldo negativo de US$ 50,047 bilhões ou 2,33% do PIB.

Os investimentos estrangeiros diretos (IED) somaram US$ 6,791 bilhões no mês passado, elevando para US$ 17,473 bilhões o resultado registrado até agora em 2011, o que representa 3,12% do PIB. Nos últimos 12 meses, os investimentos estrangeiros diretos totalizaram US$ 60,399 bilhões ou 2,81% do PIB. 

Segundo Maciel, o déficit de US$ 5,676 bilhões na conta corrente do balanço de pagamentos em março também foi o mais alto para o mês da série. O resultado do primeiro trimestre, com déficit de US$ 14,631 bilhões, também foi o mais elevado da série para o período, assim como o saldo acumulado em 12 meses, de US$ 50,047 bilhões, foi o mais alto para o período.

O chefe do Departamento Econômico do BC, entretanto, ressaltou que as condições de financiamento do déficit em conta corrente são bem favoráveis. Isso porque o Investimento Estrangeiro Direto (IED) tem superado o déficit externo. Ele explicou que o IED de US$ 6,791 bilhões em março foi o maior para o mês na série. O saldo de US$ 17,473 bilhões do primeiro trimestre, segundo Maciel, foi recorde para o período, assim como os US$ 60,399 bilhões acumulados em 12 meses.

Taxa de rolagem

A taxa de rolagem dos empréstimos de médio e longo prazos atingiu 451% em março, de acordo com dados divulgados há pouco pelo Banco Central. Bônus, notes e commercial papers tiveram rolagem de 550% e os empréstimos diretos, de 396%.

No acumulado do ano, a taxa de rolagem dos empréstimos de médio e longo prazos é de 354%, com bônus, notes e commercial papers tendo índice de 759% e os empréstimos diretos, de 242%.

Segundo dados estimados pelo BC, a dívida externa total do País subiu para US$ 279,226 bilhões em março, ante US$ 256,804 bilhões do último dado fechado, que é de dezembro de 2010, e ante US$ 271,111 bilhões do número estimado em fevereiro de 2011.

(Texto atualizado às 12h43)

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