Déficit de transações correntes não deve ser visto como ‘problema’

Segundo Gustav Gorski, da Quantitas Asset Management, dados divulgados hoje pelo BC são positivos do ponto de vista do financiamento do déficit

Maria Regina Silva, da Agência Estado,

23 de setembro de 2011 | 16h36

O resultado negativo de US$ 4,862 bilhões das transações correntes do balanço de pagamentos em agosto em relação a julho ficou dentro do esperado pelo economista-chefe da Quantitas Asset Management, Gustav Gorski. "Difícil projetar como será o próximo resultado (setembro), em razão da volatilidade cambial", disse.

O que também preocupa o economista é o movimento conhecido como fuga para a qualidade (ou flight to quality, na expressão em inglês), uma vez que em momentos de crise o dólar acaba por tornar-se porto seguro para investidores que buscam maior segurança. "Qualquer movimento (do dólar) pode puxar as contas tanto para cima quanto para baixo", acrescentou em entrevista à Agência Estado.

O déficit de transações correntes no Brasil ficou acima das estimativas das 16 instituições do mercado financeiro consultadas pelo AE Projeções, que esperavam um resultado entre US$ 2,200 bilhões e US$ 4,300 bilhões, com mediana negativa em US$ 2,800 bilhões.

Gorski observa que o resultado negativo de US$ 4,862 bilhões na conta corrente brasileira não deve ser visto como um "problema". "Do ponto de vista do financiamento do déficit nas contas externas, os dados relativos às transações correntes são positivos", disse, acrescentando que o País teve "um IED (investimento estrangeiro direto) de US$ 5,606 bilhões no mês passado, suficiente para financiar o déficit das contas de quase US$ 5 bilhões."

Segundo ele, o fato de o IED ter tido o melhor agosto desde o mesmo mês de 2004 significa que o resultado vem dando continuidade aos números verificados nos meses passados, lembrando que em julho o investimento estrangeiro direto já havia ficado em US$ 5,97 bilhões.

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