Déficit em conta corrente dobra em maio

Segundo o Banco Central, o déficit somou R$ 4 bilhões no período, o dobro em relação ao mesmo mês do ano passado

Fabio Graner, da Agência Estado,

27 de junho de 2011 | 10h58

O déficit na conta corrente do balanço de pagamentos brasileiro ficou em maio em US$ 4,103 bilhões, de acordo com dados divulgados há pouco pelo Banco Central. O resultado foi o dobro do verificado em igual mês do ano passado.

Segundo o BC, o déficit acumulado no ano na conta corrente é de US$ 22,172 bilhões, o correspondente a 2,26% do PIB. De janeiro a maio de 2010, a conta corrente teve saldo negativo de US$ 18,574 bilhões, o correspondente a 2,18% do PIB. Nos últimos 12 meses encerrados em maio, o déficit em conta corrente foi US$ 50,964 bilhões, ou 2,29% do PIB.

No resultado da conta corrente em maio a balança comercial contribuiu com superávit de US$ 3,527 bilhões enquanto a conta de serviços e rendas teve déficit de US$ 7,937 bilhões. As transferências unilaterais somaram US$ 307 milhões. De janeiro a maio, a balança comercial contribuiu com superávit de US$ 8,559 bilhões; a conta de serviços com déficit de US$ 32,123 bilhões e as transferências unilaterais somaram US$ 1,392 bilhão.

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel, avaliou há pouco que o déficit em transações correntes de US$ 4,103 bilhões em maio evoluiu numa trajetória esperada e consistente com a estimativa de US$ 60 bilhões para todo o ano. Ele destacou que o financiamento do déficit "está em posição favorável". Maciel destacou que os Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) continuam vindo de "forma significativa".

O chefe do Depec ainda afirmou que os ingressos de captações e empréstimos refletem o aumento do IOF, a partir de abril, para operações acima de 720 dias. "Houve um alongamento das dívidas a partir de então. Os empréstimos de curto prazo cessaram e no longo prazo aumentaram", disse.

Maciel avaliou ainda que os investimentos em ações em maio mostraram recuperação pontual. Segundo ele, os dados parciais de junho mostram que não é um movimento consistente. Para o chefe do Depec, o aumento nas remessas de lucros e dividendos reflete a ampliação de investimentos estrangeiros diretos nos últimos anos.

Viagens

Os gastos com viagens internacionais totalizaram US$ 5,450 bilhões, de janeiro a maio. Somente no mês de maio, os gastos de brasileiros com viagens ao exterior somaram US$ 1,120 bilhão. A projeção do Banco Central é de que os gastos com viagens internacionais encerrarão o ano em US$ 15 bilhões.

Os gastos com viagens internacionais somam US$ 1,023 bilhão em junho até hoje. Segundo Maciel, as receitas com viagens no período somaram US$ 397 milhões e as despesas, US$ 1,420 bilhão. Em junho de 2010, os gastos com viagens fecharam em US$ 911 milhões. Em abril deste ano, totalizaram US$ 1,4 bilhão.

Ainda dentro de serviços, as despesas com aluguel de equipamentos somaram US$ 1,092 bilhão no mês até o dia 27. Os gastos com serviços financeiros totalizaram US$ 113 milhões, enquanto as despesas com computação e informações foram de US$ 175 milhões. O pagamento com royalties totalizou US$ 130 milhões em junho até 27, segundo os dados parciais divulgados há pouco por Túlio Maciel.

Lucros e dividendos

A remessa de lucros e dividendos totalizou US$ 4,189 bilhões no mês de maio. No acumulado de janeiro a maio, as remessas somam US$ 14,704 bilhões. Ainda segundo o BC, as despesas com juros somaram US$ 90 milhões em maio e alcançam US$ 3,126 bilhões no acumulado de janeiro a maio.

Maciel informou que a remessa de lucro e dividendos totaliza US$ 3,003 bilhões em junho até o dia de hoje. As despesas com pagamento de juros somam US$ 1,116 bilhão no mesmo período.

Segundo Maciel, as despesas com juros em maio, de US$ 90 milhões, foi a menor da série histórica do Banco Central.  

Taxa de rolagem

A taxa de rolagem dos empréstimos a médio e longo prazos ficou em 521%, no mês de maio. A taxa de rolagem para bônus, notes e comercial papers, em maio, foi de 468%, enquanto para empréstimos diretos a taxa ficou em 589%.

No acumulado de janeiro a maio a taxa de rolagem para os empréstimos a médio e longo prazo foi de 498%, sendo que para bônus, notes e comercial papers a taxa foi de 916%, no acumulado dos cinco primeiros meses do ano. Para os empréstimos diretos, a taxa de rolagem de janeiro a maio foi de 327%.

A taxa de rolagem para os empréstimos de médio e longo prazos está em 231% neste mês, até o dia 27. Segundo os dados parciais divulgados há pouco pelo chefe do Departamento Econômico do BC, a taxa para bônus, notes e commercial papers é de 90%, enquanto que a taxa de rolagem para empréstimos diretos é de 403%.

Ele destacou que a previsão de taxa de rolagem total para o ano subiu de 150% para 410%, devido à mudança de atuação do mercado. Com o aumento da alíquota de IOF para empréstimos abaixo de 720 dias, houve um crescimento das operações de longo prazo. De janeiro a maio, a taxa de rolagem ficou em 498%. Segundo ele, "pode-se intuir" que parte pequena da taxa de rolagem é abaixo de 720 dias.

(Texto atualizado às 13 horas)

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