Déficit em conta corrente é o mais alto para setembro desde 1998

Conta de transações correntes registrou no mês passado saldo negativo de US$ 3,850 bilhões

Fabio Graner e Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

25 de outubro de 2010 | 10h47

A conta de transações correntes registrou no mês passado déficit de US$ 3,850 bilhões, o mais alto para meses de setembro desde 1998, quando o rombo de transações correntes somou US$ 4,837 bilhões. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira, 25, pelo Banco Central. Em setembro do ano passado, o déficit havia sido de US$ 2,452 bilhões.

No acumulado deste ano até o mês passado, a conta corrente do Brasil tem saldo negativo de US$ 35,063 bilhões, o equivalente a 2,39% do PIB. Nos nove primeiros meses de 2009, o déficit nessa conta era de US$ 12,061 bilhões, representando 1,13% do PIB.

O resultado da conta corrente no mês passado ficou dentro do intervalo previsto pelos analistas do mercado financeiro consultados pelo AE Projeções, que iam de um saldo negativo de US$ 2,9 bilhões a -US$ 4,5 bilhões, e colado à mediana, de -US$ 3,980 bi.

No acumulado dos últimos 12 meses encerrados em setembro, a conta corrente tem déficit de US$ 47,304 bilhões, o equivalente a 2,40% do PIB.

Considerando-se somente o mês de setembro, o resultado da conta corrente foi determinado pelo superávit comercial de US$ 1,092 bilhão, pelo déficit de US$ 5,172 bilhões na conta de serviços e rendas e pelo ingresso líquido de US$ 229 milhões de transferências unilaterais. 

Brasileiro nunca gastou tanto em viagens internacionais

A conta de viagens internacionais, por sua vez, registrou em setembro déficit de US$ 1,125 bilhão, o pior resultado mensal da série histórica iniciada em 1947. O resultado é fruto de receitas de US$ 454 milhões e despesas de US$ 1,580 bilhão. Em setembro do ano passado, o déficit de viagens foi de US$ 652 milhões.

No acumulado do ano, o saldo de viagens é negativo em US$ 7,146 bilhões, praticamente o dobro dos US$ 3,599 bilhões verificados em igual período do ano passado. As receitas com viagens neste ano somam US$ 4,322 bilhões e as despesas US$ 11,468 bilhões.

Remessas de lucros

As remessas de lucros e dividendos somaram, em setembro, US$ 1,628 bilhão. Em setembro do ano passado, as remessas foram de US$ 1,508 bilhão. No acumulado do ano, o saldo líquido de remessas é de US$ 20,908 bilhões ante US$ 15,986 bilhões em igual período do ano passado.

As despesas com juros no mês passado somaram US$ 386 milhões ante US$ 529 milhões em setembro de 2009. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, a despesa com juros é de US$ 7,144 bilhões ante US$ 6,893 bilhões no mesmo período do ano passado.

O chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes, informou que as remessas de lucro e dividendos somam em outubro US$ 1,606 bilhão, conforme dados atualizados hoje. O valor preliminar deste mês é comparável ao registrado em todo o mês de setembro, quando essas transferências somaram US$ 1,628 bilhão.

Altamir também informou que o pagamento de juros de dívidas contraídas no exterior somam US$ 765 milhões em outubro até esta segunda-feira. O valor é cerca de duas vezes maior que o observado em setembro, quando a despesa ficou em US$ 386 milhões.

Altamir também antecipou dados preliminares do déficit da conta de viagens internacionais, que amarga saldo negativo de US$ 951 milhões até hoje. Esse resultado foi gerado pelas despesas de brasileiros no exterior, que somam US$ 1,264 bilhão, valor apenas parcialmente compensado pela receita de US$ 313 milhões obtida com turistas estrangeiros em visita ao Brasil.

Ele também anunciou que a conta de aluguel de equipamentos registra, em outubro, déficit de US$ 527 milhões até hoje.

Dívida externa total

A dívida externa total do Brasil atingiu em setembro US$ 243,792 bilhões, de acordo com dados estimados pelo BC. O último dado fechado pela autoridade monetária, referente a junho deste ano, mostrou a dívida externa em US$ 228,594 bilhões. Em agosto de 2010, o BC estimava a dívida externa em US$ 235,365 bilhões.

A dívida de médio e longo prazos, em setembro, somava US$ 190,786 bilhões ante US$ 187,949 bilhões em agosto e US$ 182,724 bilhões em junho. A dívida de curto prazo no mês passado totalizava US$ 53,006 bilhões ante US$ 47,416 bilhões em agosto e US$ 45,869 bilhões em junho.

A taxa de rolagem dos empréstimos de longo e médio prazos atingiu em setembro 170%. Em igual mês do ano passado, esse indicador ficou em 83%. No resultado do mês passado, bônus, notes e commercial papers tiveram taxa de rolagem de 139%, enquanto os empréstimos diretos tiveram taxa de renovação de 342%.

Nos nove primeiros meses deste ano, a taxa de rolagem ficou em 214%, com bônus, notes e commercial papers, com 202% de taxa de rolagem, e os empréstimos diretos, de 243%. No mesmo intervalo acumulado de 2009, a taxa de rolagem foi 79%, com bônus, notes e commercial papers com índice de 87% e empréstimos diretos, 60%.

Texto atualizado às 15h29

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