Déficit em conta corrente em 2010 é o maior da série histórica

Segundo dados do BC, conta de transações correntes encerrou o ano com déficit de US$ 47,518 bilhões, o mais alto da série em valores nominais e equivalente a 2,28% do PIB

Fabio Graner e Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

25 de janeiro de 2011 | 10h49

O Brasil teve em dezembro de 2010 déficit em conta corrente de US$ 3,493 bilhões, de acordo com dados divulgados nesta terça-feira, 25, pelo Banco Central. Com o resultado, a conta de transações correntes encerrou 2010 com déficit de US$ 47,518 bilhões, o equivalente a 2,28% do Produto Interno Bruto (PIB). O resultado de dezembro do ano passado ficou dentro do intervalo previsto pelos analistas consultados pelo AE Projeções, que ia de -US$ 1,50 bilhões a -US$ 6 bilhões, mas ficou fora da mediana projetada, de -US$ 3,239 bilhões.

 

 

Já o resultado da conta corrente no acumulado de 2010 ficou perto do teto do intervalo previsto na pesquisa, de -US$ 48 bilhões. Segundo BC, o resultado no ano passado foi praticamente o dobro do verificado em 2009, quando a conta corrente do País apresentou saldo negativo de US$ 24,302 bilhões, o correspondente a 1,52% do PIB.

O déficit em conta corrente, em valores nominais, é o mais alto da série histórica iniciada em 1947. Mas em relação ao tamanho da economia o saldo negativo é o mais alto desde 2001.

No resultado do ano passado, a balança comercial contribuiu com superávit de US$ 20,267 bilhões enquanto a conta de serviços e rendas teve saldo negativo US$ 70,630 bilhões. As transferências unilaterais tiveram saldo positivo de US$ 2,845 bilhões no ano passado.

Em 2009, a balança comercial registrou superávit de US$ 25,290 bilhões. A conta de serviços e rendas teve déficit de US$ 52,930 bilhões e a conta de transferências unilaterais teve saldo positivo US$ 285 milhões.

Remessas

As remessas de lucros e dividendos feitas por multinacionais instaladas no Brasil somaram US$ 5,344 bilhões em dezembro, segundo dados do Banco Central. O valor é muito semelhante ao observado em igual mês de 2009, quando as transferências somaram US$ 5,326 bilhões. No balanço fechado de 2010, as remessas atingiram US$ 30,375 bilhões, acima dos US$ 25,218 bilhões registrados em todo o ano de 2009.

O BC também informou que o pagamento de juros em dívidas externas somou US$ 940 milhões em dezembro. No acumulado de 2010, essa despesa atingiu US$ 9,682 bilhões.

Viagens

As viagens internacionais registraram déficit de US$ 1,119 bilhão em dezembro, segundo dados do Banco Central. O saldo negativo é gerado porque o gasto de brasileiros no exterior é maior que a receita obtida com estrangeiros em visita ao País. Segundo a série histórica do BC, o saldo negativo registrado no último mês do ano passado foi o pior para os meses de dezembro.

No acumulado de 2010, a conta de viagens amargou déficit de US$ 10,503 bilhões, cifra 87,7% maior que o saldo negativo registrado em 2009 (US$ 5,594 bilhões). Também segundo o BC, o déficit de 2010 é o maior desde o início da série histórica, em 1947.

Dívida

A taxa de rolagem dos empréstimos de médio e longo prazo ficou em 281% em dezembro, encerrando o ano de 2010 em 244%, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central. Em 2009, a taxa de rolagem foi de 88%. Segundo o BC, a taxa de rolagem de bônus, notes e commercial papers foi de 476% em dezembro e fechou o ano passado em 248% ante 95% de 2009. A taxa de rolagem de empréstimos diretos foi de 90% em dezembro, fechando o ano em 237% ante 72% em 2009.

O BC informou que a dívida externa do país encerrou 2010 em US$ 255,664 bilhões. O número é estimado pela autoridade monetária. O último cálculo fechado era de setembro, quando a dívida estava em US$ 247,812 bilhões. Em 2009, a dívida externa fechou o ano em US$ 198,192 bilhões.

Segundo o BC, a dívida de médio e longo prazo fechou 2010 em US$ 198,734 bilhões ante US$ 167,220 bilhões em 2009. Já a dívida de curto prazo fechou o ano passado em US$ 56,930 bilhões ante US$ 30,972 bilhões em 2009.

(Texto atualizado às 12h46)

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