Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Demanda de uso do FGTS para compra de ações da Eletrobras fica em R$ 9 bilhões

Isso quer dizer que valor de investimento solicitado por investidores pode sofrer corte, já que o teto estabelecido pelo governo era de R$ 6 bilhões

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2022 | 15h18

A demanda dos investidores pelo uso do dinheiro do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para compra de ações da Eletrobras ficou acima do teto de R$ 6 bilhões estabelecido pelo governo. Segundo apurou o Estadão, o total ficou em cerca de R$ 9 bilhões. Isso quer dizer, na prática, que os valores individualmente solicitados pelas pessoas físicas sofrerão cortes em relação aos pedidos.

O prospecto da oferta prevê que, em caso de uma demanda maior dos que o teto dos R$ 6 bilhões, seria estabelecido um valor máximo de R$ 50 mil por trabalhador. Caso não se chegue, ainda assim, ao teto definido, haverá um rateio, com redução do investimento proporcional mesmo para quem investiu menos de R$ 50 mil.

A diferença entre o pedido feito pelo trabalhador e o valor efetivamente investido, por imposição dos limites previamente definidos, será devolvido ao saldo do FGTS do trabalhador sem remuneração.  

O pedido de reserva pelas ações pelos trabalhadores com saldo no FGTS terminou ao meio-dia desta quarta-feira, 8. A alta demanda, segundo especialistas, é explicada pela possibilidade de maior rentabilidade do investimento, visto que pelas regras o FGTS rende 3% ao ano, muito abaixo da inflação atual.  O trabalhador que participar da oferta não poderá vender os papéis antes de 12 meses.

Nesta quinta-feira, 9, será definido o preço da ação da Eletrobras. A oferta de ações da Eletrobras deve movimentar, ao todo, até R$ 35 bilhões, embora a demanda tenha sido bem maior. No fim do processo, o governo deixará de ser o controlador da empresa, culminando na sua privatização. Essa é a primeira vez, em mais de uma década, que o trabalhador pode utilizar parte de seu saldo do FGTS para comprar ações. Isso já foi possível, no passado, envolvendo papéis de Vale e Petrobras.

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