Demanda externa cai em fevereiro e acende luz amarela, diz FGV

Índice recuou para 84,3 pontos, nível igual ao de setembro de 2009

Anne Warth, da Agência Estado,

26 de fevereiro de 2010 | 17h30

Apesar dos bons resultados que o Índice de Confiança da Indústria (ICI), calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), têm demonstrado, os indicadores de demanda externa, que já apresentavam a recuperação mais lenta desde a crise, tiveram novamente forte redução no mês de fevereiro.

 

Desde março de 2009, quando atingiu o pior resultado dos últimos anos (62,2 pontos), o nível de demanda global apontado pelos empresários vinha crescendo quase ininterruptamente - exceto em novembro, quando teve leve queda para 87,5 pontos, ante 88,5 em outubro. Em fevereiro, porém, a redução foi bem mais intensa: de 89,5 pontos em janeiro para 84,3 pontos neste mês, uma volta ao nível registrado em setembro (84 pontos).

 

"Embora estivesse bem atrás da demanda interna, a demanda externa vinha se recuperando lentamente. Agora, ela deu uma rateada forte, piorou muito. Acendeu uma luz amarela sobre a demanda externa", afirmou o coordenador da Sondagem Industrial da Indústria de Transformação da FGV, Aloisio Campelo.

 

Na avaliação dele, o indicador aponta uma reversão das expectativas dos industriais, que acreditavam em uma recuperação lenta, mas contínua, dos mercados para os quais o Brasil exporta seus produtos - Estados Unidos e principalmente Europa, afetada pelas notícias das dificuldades financeiras da Grécia. "Pode ser o primeiro sinal de que os problemas verificados na Europa podem estar tendo algum impacto na produção da indústria", disse.

 

Entre os setores que mais demonstraram essa retração estão bens de capital, material de transporte e metalurgia, alguns dos principais segmentos que respondem pelas exportações da indústria brasileira, estimada em 20% da produção total. A indústria de bens de capital registrou um nível de demanda externa de 36,4 pontos em uma variação que vai de 0 a 200, ante 42,3 pontos em janeiro, trajetória que interrompeu uma recuperação que vinha ocorrendo desde setembro. Em fevereiro, 68,4% dos empresários disseram que a demanda externa estava fraca.

 

No caso da indústria de material de transportes, categoria em que se encontra a indústria automobilística, 54,7% dos consultados responderam que a demanda externa estava fraca, ante 42% em janeiro. Na metalurgia, apenas 9% dos empresários afirmaram que a demanda estava forte em fevereiro, ante 32% em novembro. Para os bens de consumo duráveis como um todo, o nível de demanda externa caiu para 72,2 pontos, ante 97,7 em janeiro.

 

Para Campelo, esse quadro pode fazer com que o otimismo dos industriais sofra ajustes ao longo do ano - o indicador Situação Futura dos Negócios para os próximos seis meses atingiu 169,6 pontos, recorde da pesquisa. "Há um otimismo muito grande apesar da fraca demanda externa. Nos próximos meses, é possível que haja alguma correção nesse otimismo", afirmou.

 

Ele lembrou ainda que a maioria dos analistas de mercado espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) eleve a taxa básica de juros, atualmente em 8,75% ao ano, para 11,25% no fim do ano. "Mas não será nada que afete a produção e o emprego previstos pela indústria ou o PIB do País, que já está dado e ficará entre 5% e 6% neste ano", ponderou.

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