Demanda externa da indústria está abaixo da média histórica, FGV

Indicador de Demanda Externa da indústria de transformação registrou queda pelo 4º mês consecutivo

Anne Warth, da Agência Estado,

29 de abril de 2011 | 14h54

O Indicador de Demanda Externa da indústria de transformação brasileira registrou queda pelo quarto mês consecutivo e já está abaixo da média histórica. O dado faz parte da Sondagem da Indústria de Transformação e da composição do Índice de Confiança da Indústria (ICI), divulgados nesta sexta-feira, 29, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Ao longo do ano passado, a demanda externa registrou recuperação até dezembro, quando atingiu 107,5 pontos. A partir daí, o indicador vem caindo e chegou em abril aos 93,2 pontos, diante de uma média histórica de 97,5 pontos.

De acordo com o coordenador de Sondagens Conjunturais do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, Aloisio Campelo, a queda pode estar relacionada ao efeito do câmbio valorizado e à redução da demanda mundial, já que vários países estão elevando juros para conter a inflação. No mês de abril, 24% dos empresários disseram que a demanda externa estava fraca, contra 17,2% que a consideravam forte. Entre os setores, o que registrou maior queda na demanda externa foi o de Bens Intermediários. O indicador saiu de um pico de 109 pontos em novembro para 82,6 pontos em abril.

Uma das maiores contribuições para a queda do setor de Bens Intermediários foi a do gênero de Química, cujo indicador de demanda externa passou de 103,7 pontos em janeiro para 65,8 pontos em abril. Dos empresários do segmento, 57,9% responderam que a demanda externa estava fraca em abril. Na área de Papel e Celulose, a demanda externa caiu de 104,7 pontos em janeiro para 93,9 pontos em abril. No gênero de Metalurgia, o indicador baixou para 96,9 pontos, em abril, ante 106,1 em janeiro, com 25,5% dos empresários do setor respondendo que a demanda externa estava fraca. "A redução da demanda externa ocorreu nos três principais setores da área de Bens Intermediários", disse Campelo.

Dos 14 gêneros pesquisados em cinco setores, 11 registraram queda no nível de demanda externa em abril. Apenas três tiveram crescimento: Mecânica, Material de Transporte, provavelmente devido às exportações de bens de capital e de caminhões, e Materiais Não Metálicos, que possui participação muito reduzida na pauta de exportações.

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